25 de março de 2009

SOBRE A DIVERSIDADE

O dicionário define a palavra 'diversidade' como variedade, diferença, oposição e contradição. Mas, ainda existem estas dessemelhanças?.

Vêem-se todos os dias enxurradas de capas de revistas e programas de TV dizendo como ficarmos igual a este ou àquela personagem ou personalidade. São receitas prontas de como termos um corpo e visual da "moda", com a promessa de podermos nos sentir agrupados a um mundo que pede uma padronização de sensações sejam elas de ordem psicológica e/ou cultural.

Seria isto realmente importante? Precisamos seguir padrões pré-estabelecidos para nos sentirmos aceitos e parte de um determinado grupo? Estamos extinguindo a diversidade para tomarmos nossa parcela em uma sociedade sempre ambígua em sua hipocrisia?

A maneira mais eficaz de crescer, tanto no aspecto intelectual quanto emocional, reside, principalmente, na valorização das diferenças entre as pessoas. Aprender um pouco mais a cada dia e estabelecer relações positivas no trabalho e na vida pessoal, só é possível a partir da troca de informações e experiências. Ambas são baseadas na comunicação, que nem sempre é bem desenvolvida. Esta situação é responsável por boa parte da frustração e angústia de nossos dias.

É importante lembrar que, nos dias atuais, aceitar a inclusão e respeitar a diversidade não é mais uma opção. É um compromisso, uma ação educativa necessária, resultado de pesquisas, conhecimentos e experiências acumuladas nos últimos tempos, que colocam em evidência alguns pontos a serem considerados quando se pretende desenvolver uma educação inclusiva na sociedade.

Em relação aos direitos fundamentais da pessoa humana, somos todos iguais, ou seja, podemos ser e somos diferentes, mas nem por isso desigual. Mesmo porque, podemos ser diferentes, mas não vivemos sozinhos e, aliás, somos mais felizes quando não somos sozinhos. Nossas diferenças, por maiores que sejam, estão em permanente interação com os outros e suas diferenças, fortalecendo a idéia de igualdade e de democracia exatamente para que possamos viver juntos e construirmos, nessa interação, um projeto de vida, de família, de comunidade, de nação ou de humanidade, ainda mais neste mundo cada vez mais globalizado, tempo das redes, da comunicação, da macro-transição.

É um jeito de pensar, de ser e de agir que é construído com base nas condições concretas de existência que nos são dadas ou impostas e sobre as quais realizamos escolhas, fazemos nossas opções cotidianas e fundamentais, ampliando nossa liberdade e bem-estar ou reduzindo-os, conforme o estrago que o pensamento dominante causa em nossos mapas mentais, nossas crenças, valores, paradigmas e interesses ou desejos. Podemos transcender aquilo que nos foi dado, podemos tomar nas mãos a própria história e conceber a nós mesmos de uma maneira mais positiva, projetando nosso futuro com uma liberdade e um bem-estar ampliados.

Valorizar a diversidade, além de ser uma atitude corporativa das melhores, é também uma necessidade e, por conseqüência, um bom negócio. Valor é aquilo que pesa na hora de tomarmos uma decisão, aquilo que tem significado e, por isso mesmo, torna-se uma prática, uma ação, uma atitude concreta a favor de algo e contra algo. Como a diversidade é um valor, há empresas aqui e no mundo que estão promovendo a diversidade em todas essas relações, buscando uma maneira de realizar os seus negócios de um jeito que respeite e até incentive as diferenças, fazendo com que elas concorram para melhorar os resultados, a relação com a sociedade e a própria vida em sociedade.

Portanto, não tema e seja você mesmo, valorize você também aquilo que o torna especial e único. Mais do que a sua cor de pele ou a sua orientação sexual (ou as duas características juntas numa só pessoa) é a sua bagagem, a sua experiência, o olhar peculiar que você possui que está sendo valorizado para construir, a partir das diferenças respeitadas e incentivadas, acolhidas e garantidas, um mix que gera essa sinergia e promove o seu sucesso, o sucesso dos negócios e uma sociedade, enfim, bem-sucedida.

A diversidade como valor fortalece e se fortalece com o movimento de responsabilidade social corporativa porque, além de tudo, está identificada com os interesses legítimos da sociedade e contribui para a superação de desigualdades intoleráveis geradas pela discriminação arbitrária, sem justificativa, injustas, portanto. As discriminações positivas, ou seja, aquelas que ajudam a corrigir as desigualdades históricas e persistentes que todos construímos (herdando ou mantendo) são bem-vindas num ambiente que valoriza a diversidade.

A beleza está no diferente, na surpresa, no inevitável. Pensamentos dissonantes trazem riqueza de colaborações intelectuais. Diversidade traça novos caminhos. Desenha estradas. Traças novas rotas. Dá-nos opção de decidir e nos obriga a desenvolvermos senso critico para deixarmos de sermos simples marionetes manipuladas para andarmos com nossas próprias pernas.

Diversidade aplica-se à formação, forma de pensar, estado civil, enfim, todas as diferenças que possam ser identificadas entre os indivíduos. Criamos dessa forma, uma consciência circular das coisas, pessoas e situações, todas elas amarradas entre si. Buscamos opiniões de terceiros que confirmem nossas crenças e demonstrem que as dos outros são insustentáveis e, conseqüentemente, ruins. A sensação de estarmos certos só pode valer como opinião, nunca como certeza ou verdade absoluta. É preciso estar alerta para o fato de que, nas questões de julgamento, estamos submetidos a interesses internos que nos justificam antes que possamos ser imparciais.


2 deixaram seu recado:

Samantha 25 de março de 2009 15:44  

Oi Rubinho, nunca tinha entrado no seu blog mas sempre te enchia o saco no twitter. Cara, parabens! Esse post em especial, o primeiro que li do blog, ja foi um cartao de visita para mostrar o bom conteudo.

Nisso de diversidade sempre me vem na cabeca os "padroes de beleza": tem q ser magra, tem q ter cabelo liso, tem que ser loira, etc. Todo mundo tem que ser assim? E essa busca incessante gera neuras, traumas, anorexia, bulimia, etc.
Adoro celebrar a diversidade. Nao so da beleza, mas da forma de pensar. Isso q nos torna unicos e belos. Acho que isso acende alguma "centelha divina", sei la, faz de cada um especial.

Bjus

Diógenes de Souza 25 de março de 2009 15:52  

Adorei o post. Seria excelente que a diversidade, em todas as suas manifestações, fosse considerada tão normal quanto é considerada a unidade de comportamento.

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