28 de outubro de 2008

FAZER AMIGOS

*postagem original no Pink Ego

Hoje em dia anda muito difícil fazer amigos e eu não falo isso porque não entra mais ninguém decente no Chat do UOL não. Pra quem não lembra do processo, tudo começa ainda no colégio, quando você descobre que existe os amigos, aqueles pra quem a gente conta as coisas, e os colegas, os que andam junto contigo, mas que não merecem muita confiança. Criam-se os grupos e provavelmente o cara mais bonito da sala vai pegar a menina mais gata e despertar a sua primeira inimizade.

Quando éramos mais novos, mais bonitos e menos barbudos, fazer amigos era a coisa mais fácil do mundo. Era só tropeçar em alguém da mesma idade, com uma cara de saudável e perguntar: “oi, quer ser meu amigo?”. Se morasse perto então ou tivesse brinquedos legais, ficava melhor ainda. Não exigia confiança, número de celular e raramente ele te pedia dinheiro emprestado.

Na pré-adolescência, o que estragava era a história dos melhores amigos, que são uma versão primitiva dos amigos de verdade. Os melhores amigos são aqueles com quem voce passava horas no telefone ou no shopping se voce for uma garota; passava horas jogando futebol e falando da prima gosta se voce for um garoto; passava horas jogando Mortal Kombat II no SuperNes se você for um nerd.

Hoje, ja não é possível fazer amizades de verdade após os 23 anos. Mesmo porque, depois de ficarmos razoávelmente velhos, começamos a diferenciar os amigos dos amigos de verdade e isso é uma bobagem que só faz com que você passe os sábados vendo Tina Fey imitar Sarah Palin no Saturday Night Live. Exigimos que eles compreendam nossos dramas, nossa falta de tempo, que aceitem nossas loucuras excentricidades e que nos dêem ingressos pra shows de graça.

A vida passa e vamos nos acostumando também a ter grupos de amigos sazonais. Os amigos do trabalho, os amigos do ex-estágio, os amigos do prédio, os amigos da faculdade e acabamos perdendo alguns pelo meio do caminho. Eles começam a namorar e te deixam de lado, mudam de religião, viram vegetarianos ou começam a comer insetos e participar de cultos de xamanismo. E é bem provável que com o tempo você se esqueça da maioria deles.

O ICQ morreu, veio o MSN, depois o Orkut e conseguimos dar uma certa sobrevida à amizades mal-resolvidas e distâncias mal-explicadas. No entanto, não é raro aparecer um ex-amigo, perdido no tempo, deixando um scrap dizendo que está morrendo de saudades, que casou e yatta yatta yatta vocês voltam a se falar. Mesmo que já não tenham mais nada em comum a não ser conversar sobre o passado.

É uma pena que a gente se acostume a manter contato com essas pessoas apenas pelo meio virtual. Saber o que ela está fazendo pelo Twitter, as músicas que ouve pelo Last.fm e as pornografias que ela está cadastrada pelo Google dá um certo alívio de não ser um amigo relapso. Sempre tive medo de ser aquele que não liga pra ninguém, que se faz de blasé e vive trocando de amigos, mas, acontece.

O tempo e essa vida corrida toda torna cada vez a gente mais distante de ser um amigo, um melhor amigo, um amigo de verdade. Triste saber que dizer “oi, quer ser meu amigo”, quer dizer pedir pra você clicar aqui. E se você pensa assim, no donut for you!


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20 de outubro de 2008

MUNDO MODERNO 15


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PECADO NOS OLHOS DOS OUTROS É REFRESCO

Por Rubem Alves

Cristãos fundamentalistas são os que acreditam que as sagradas escrituras foram ditadas diretamente por Deus e que, por isso, tudo o que nelas está escrito é sagrado, verdadeiro e deve ser obrigatoriamente obedecido para sempre. A verdade divina está fora do tempo. Aquilo que Deus comandava há 3.000 anos é válido para hoje e para todos os tempos futuros.

Digo isso a propósito de uma carta dirigida a Laura Schlessinger, conhecida locutora de rádio dos Estados Unidos que tem um desses programas interativos que dá respostas e conselhos aos ouvintes que a chamam ao telefone. Recentemente, perguntada sobre a homossexualidade, a locutora disse que se trata de uma abominação, pois assim a Bíblia o afirma no livro de Levítico 18:22. Um ouvinte escreveu-lhe então uma carta que vou transcrever:

'Querida doutora Laura, muito obrigado por se esforçar tanto pra educar as pessoas segundo a lei de Deus. [...] Mas, de alguma forma, necessito de alguns conselhos de sua parte a respeito de outras leis bíblicas e sobre a forma de cumpri-las: gostaria de vender minha filha como serva, tal como o indica o livro Êxodo, 21:7. Nos tempos em que vivemos, na sua opinião, qual seria o preço adequado?

O livro de Levítico 25:44 estabelece que posso possuir escravos, tanto homens quanto mulheres, desde que não sejam adquiridos de países vizinhos. Um amigo meu afirma que isso só se aplica aos mexicanos, mas não aos canadenses. Será que a senhora poderia me esclarecer esse ponto? Por que não posso possuir canadenses?

Sei que não estou autorizado a ter qualquer contato com mulher alguma no seu período de impureza menstrual (Levítico 18:19, 20:18 etc.). O problema que se me coloca é o seguinte: como posso saber se as mulheres estão menstruadas ou não? Tenho tentado perguntar-lhes, mas muitas mulheres são tímidas e outras se sentem ofendidas.

Tenho um vizinho que insiste em trabalhar no sábado. O livro de Êxodo 35:2 claramente estabelece que quem trabalha aos sábados deve receber pena de morte. Isso quer dizer que eu, pessoalmente, sou obrigado a matá-lo?

Será que a senhora poderia, de alguma maneira, aliviar-me dessa obrigação aborrecida?

No livro de Levítico 21:18-21 está estabelecido que uma pessoam não pode se aproximar do altar de Deus se tiver algum defeito na vista. Preciso confessar que eu preciso de óculos para ver. Minha acuidade visual tem de ser 100% para que eu me aproxime do altar de Deus?

Eu sei, graças a Levítico 11:6-8, que quem tocar a pele de um porco morto fica impuro. Acontece que adoro jogar futebol americano, cujas bolas são feitas de pele de porco. Será que me será permitido continuar a jogar futebol americano se usar luvas?

Meu tio tem um sítio. Deixa de cumprir o que diz Levítico 19:19, pois que planta dois tipos diferentes de semente ao mesmo campo, e também deixa de cumprir a sua mulher, que usa roupas de dois tecidos diferentes - a saber, algodão e poliéster. Será que é necessário levar a cabo o complicado procedimento de reunir todas as pessoas da vila para apedrejá-las? Não poderíamos queimá-las numa reunião privada?

Sei que a senhora estudou esses assuntos com grande profundidade de forma que confio plenamente na sua ajuda. Obrigado de novo por recordar-nos que a palavra de Deus é eterna e imutável'


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16 de outubro de 2008

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15 de outubro de 2008

HOMOFOBIA E FALSA INDIGNAÇÃO

Um texto que merece ser lido e divulgado:

Nos EUA, costuma-se distinguir entre racismo e o que chamamos race-baiting, que é usar o racismo alheio para benefício próprio, geralmente político-eleitoral. Ninguém em sã consciência diria que Bill Clinton é racista, mas parece-me inegável que ele tentou se aproveitar do racismo sulista contra Barack Obama nas primárias democratas da Carolina do Sul. Há que se conhecer o contexto americano para saber tudo o que se escondia na aparentemente inocente frase ah, não se preocupe, Jesse Jackson também ganhou as primárias da Carolina do Sul em 1984 e 1988.

A campanha de Marta Suplicy errou, e errou feio, ao introduzir as perguntas é casado? tem filhos? no final de um comercial em que fazia uma série de indagações legítimas sobre o passado político de Gilberto Kassab.

(clique aqui e continue lendo)

Dica da Flavia Durante

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14 de outubro de 2008

HIPOCRISIA *


Nós, seres humanos, podemos ser divididos em infinitas categorias, dentre essas chamo a atenção para três:

A - Os que fazem algo errado
B - Os que criticam o que fez algo errado
C - E os que criticam a crítica do último

Geralmente A fala que não se deve fazer algo, termina ele mesmo praticando aquilo que proibiu. Sendo assim, chega B e fala - Viram? O homem é falho e erra bastante. É quando entra em ação o C: "Oras, se A é igual a B, todos os dois estão errados." Soou quase que matemática a relação, mas isso acontece com grande freqüência e causa muitos danos às relações como um todo.

O interessante a ser observado é que nunca nos importamos com o que está sendo discutido, mas sim com quem está discutindo. Denominam isso de ataque ad hominem. O norteador do que é certo ou errado deixou de ser o que é certo ou errado segundo nossos conceitos e se transformou na hipocrisia.

Se alguém é hipócrita ele não tem voz. Só terá voz aquele que é totalmente isento de erros. E quem é essa pessoa? Existirá algum humano capaz de não ser hipócrita? Longe de defender tal prática, devemos nortear nossas ações não de acordo com o que uma pessoa fala, mas de acordo com o que a própria assertiva leva de correto.

Um assassino que afirma: "matar é errado" transforma o matar em correto pelo único fato de não ter legitimidade para falar daquilo? Esse exemplo "absurdo" ilustra o que ocorre quando deixamos de olhar para o que é falado e observamos unicamente a pessoa que fala. A hipocrisia deve sim ser combatida e isso é feito deixando de exaltá-la como único fator determinante do que deve ser praticado ou não.

Pessoas se perpetuam pelas suas idéias; quando praticadas, o discurso sem dúvida se torna mais forte e isso se deve principalmente ao fato de a pessoa conseguir provar que o que ela fala é sim possível de ser praticado. Isso, no entanto, não deve dar vazão ao velho chavão "suas atitudes falam tão alto, que não consigo ouvir o que dizes"; essa é uma justificativa para quem não quer reconhecer a verdade de uma afirmação tão óbvia que até o hipócrita se permite dizer.

Exaltemos idéias, neguemos o hipócrita. Que possamos sempre fazer a incisão entre o que é falado e quem fala, utilizando o filtro do bom-senso.

*Texto de Raphael Rap (enviado por e-mail)

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10 de outubro de 2008

Goodbye Alice In Wonderland (Acoustic 2007)

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CONSCIÊNCIA


Nascemos, vivemos e morremos. Isso é o lado comum da vida. A utilidade da vida na existência do espírito é que tem o verdadeiro desafio para a nossa compreensão. Observando então a forma como vivemos, podemos perceber que o sentido oculto está no desenvolvimento da nossa consciência em nossa existência plena.

Vivemos na observância das coisas do mundo, através dos nossos sentidos, e com eles sobrevivemos e fazemos acontecer as coisas necessárias para o nosso bem estar e nosso trabalho naquilo que nos é proposto no dia a dia. Assim, o propósito de nossa essência é a nossa consciência, no seu desenvolvimento.

Vibramos desde o mundo mineral até o hominal em busca deste desenvolvimento. É neste labor que aprendemos quem somos em cada estágio para seguir para o supra-hominal, e é neste exercício que nos aprimoramos e desenvolvemos o conhecimento preciso para que possamos chegar a uma possível plenitude.

Quando rompemos a casca do ovo da consciência, somos eternos, pois paramos de nos identificar com a finitude do mundo e passamos a viver as nossas vidas dentro daquilo que somos de fato.


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9 de outubro de 2008

ESVAZIANDO

Por Wilson Meiler

Todos os anos, há um momento em que olhamos nossos armários com um olhar crítico. Olhamos aquelas roupas que não usamos há tanto tempo. Aquelas que tiramos do cabide de vez em quando, vestimos, olhamos no espelho, confirmamos mais uma vez que não gostamos e guardamos de volta no armário.

Aquele sapato que machuca os pés, mas insistimos em mantê-lo guardado. Há ainda aquele terno caro, mas que o paletó não cai bem, ou o vestido "espetacular" ganho de presente de alguém que amamos, mas que não combina conosco e nunca usamos. Às vezes tiramos alguma coisa e damos para alguém, mas a maior parte fica lá, guardada sabe-se lá porquê.

Um dia alguém me disse: tudo o que não lhe serve mais e você mantém guardado, só lhe traz energias negativas. Livre-se de tudo o que não usa e verá como lhe fará bem.

Acontece que nosso guarda-roupa não é o único lugar da vida onde guardamos coisas que não nos servem mais. Você tem um guarda-roupa desses no interior da mente. Dê uma olhada séria no que anda guardando lá.

Experimente esvaziar e fazer uma limpeza naquilo que não lhe serve mais. Jogue fora idéias, crenças, maneiras de viver ou experiências que não lhe acrescentam nada e lhe roubam energia. Faça uma limpeza nas amizades, aqueles amigos cujos interesses não têm mais nada a ver com os seus.

Aproveite e tire de seu "armário" aquelas pessoas negativas, tóxicas, sem entusiasmo, que tentam lhe arrastar para o fundo dos seus próprios poços de tristezas, ressentimentos, mágoas e sofrimento. A insegurança dessas pessoas faz com que busquem outras para lhes fazer companhia, e lá vai você junto com elas.

Junte-se a pessoas entusiasmadas que o apóiem em seus sonhos e projetos pessoais e profissionais. Não espere um momento certo, ou mesmo o final do ano, para fazer essa "faxina interior". Comece agora e experimente aquele sentimento gostoso de liberdade.

Liberdade de não ter de guardar o que não lhe serve. Liberdade de experimentar o desapego. Liberdade de saber que mudou, mudou para melhor, e que só usa as coisas que verdadeiramente lhe servem e fazem bem.



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LISTA DO LEITOR

Nesse post fiz uma pequena lista dos filmes que tinham um apelo mais "universal" e que discorriam sobre o universo GLBT.

Dentre os comentários, vários leitores sugeriram outros filmes e consequentemente me senti compelido a assistir e comentar posteriormente sobre tais dicas (embora algumas sugestões eu já tinha assistido)

Por isso, seguem abaixo resenhas sobre esses filmes, onde não tenho o intuito de fazer uma critica ou tão pouco classificar este ou aquele trabalho como bom ou ruim. A intenção aqui é de simplesmente dividir experiências e multiplicar as diferentes opiniões.

Então, vamos lá:




O Padre (Priest - Inglaterra, 1995) Drama. 105 min. Direção: Antonia Bird Estrelando: Linus Roache, Tom Wilkinson, Robert Carlyle, Cathy Tyson

O filme narra a vida do Padre Greg, que enfrenta um caso de abuso sexual contra Lisa, uma adolescente de 14 anos; onde ela revela o abuso, praticado pelo pai, na confissão. Esse é o grande fio condutor da história - além do fato de Padre Greg ser homossoxual.

Eventualmente, lá pela segunda metade do filme, o Padre Greg é flagrado pela polícia com o namorado (interpretado por Robert Carlyle, de Uma Canção para Carla/Carla’s Song) no que eles chamam de ato obsceno em um carro; o caso vai para os jornais e para a Justiça. O suporte que recebe de Padre Matthew é tão imenso quanto o que não recebe do resto da Igreja.

Padre Greg (Linus Roache) é enviado para trabalhar em uma paróquia em Liverpool. Ele fica surpreso ao ver que seu novo superior, padre Matthew (Tom Wilkinson), não cumpre o celibato, mantendo um relacionamento com uma mulher. Este é apenas o primeiro fator que fará com que Greg entre em conflito e questione algumas regras da Igreja. Um segundo fator é a descoberta da própria homossexualidade, quando se apaixona por um rapaz (Robert Carlyle).

Mas o que mais o tortura é quando uma menina de 14 anos lhe conta que sofre abusos por parte do pai, mas Greg está de mãos atadas pelo sigilo da confissão. Dividido entre sua vocação e sua sexualidade, entre as regras da Igreja e os problemas que testemunha, Greg teme ter sua fé abalada.

Em suma, O Padre revela-se um grande filme. Um filme corajoso, profundamente progressista, anti-establishment, antipreconceitos de todos os tipos. Não é um filme contra a Igreja Católica - embora seguramente 95% da hierarquia católica deva considerá-lo assim. Nem muito menos anticristão. É anti-hierarquia, anti o que a máquina da Igreja criou em torno dos preceitos básicos da religião. O que está em pauta, especificamente, é a exigência do celibato - e, mais especificamente ainda, mais ousadamente ainda, o tabu que é quebrar o celibato com uma ligação homossexual.

Mas o filme na verdade vai além desse específico. Não é um filme contra a exigência do celibato, e contra o pavor que todos têm de um padre homossexual. É aquilo de que falei duas linhas acima: é anti-hierarquia, anti quase tudo o que a máquina da Santa Madre criou para defender a monarquia mais duradoura da história da humanidade. E anti-hipocrisia, anti os falsos cristãos.

O final do filme é tão brilhante quanto o começo. O Padre Matthew insiste em que os dois celebrem juntos uma missa de domingo. A pregação libertária que ele faz nessa missa é um manual de resistência ao atraso, ao conformismo. Ao final da missa e do filme, os dois se colocam para dar a comunhão; forma-se uma grande fila diante do Padre Matthew, mas ninguém se posta para receber o sacramento do “padre gay”, como alguém da congregação define; só Lisa, a adolescente que ele de alguma maneira salvou do abuso do pai, vai até ele. É tristíssimo, é emocionante, é lindo.




Cachorro (Bear Cub - Espanha, 2004) Comédia/Drama. 99 min. Direção: Miguel Albaladejo Estrelando: Jose Luis Garcia-Perez, David Castillo, Arno Chevrier, Elvira Lindo, Mario Arias, Diana Cerezo, Josele Roman, Empar Ferrer, Felix Alvarez

Um homossexual promíscuo e um menino de nove anos que fica sobre seus cuidados são os protagonistas e o fio condutor do longa espanhol "Cachorro".O sexto filme do espanhol Miguel Albadalejo, que teve sua estréia mundial no Festival Internacional de Cinema de Berlim.

Pedro, vivido por José Luis García-Pérez ("Padre Coraje"), é um dentista que curte sua vida sexual adoidado, porém sua vida muda completamente quando tem que cuidar de seu sobrinho, Bernardo (David Castillo), cuja mãe foi detida na Índia por porte de drogas.

O mérito de "Cachorro" é tratar o sexo (mais especificamente a homossexualidade) numa chave melodramática, respeitosa e até edificante sem nunca soar chato ou pretensioso.

Bernardo, um menino de 11 anos, passa a viver com o tio gay, Pedro. No começo, o tio muda radicalmente de vida para não chocar o garoto, mas com o tempo vai se sentindo mais à vontade. E ao assumir aos poucos sua identidade para Bernardo, faz com que o menino também busque a sua -não sexual, pois ainda é muito novo, mas no sentido mais amplo, das atitudes. Nesse sentido, a decisão de raspar a cabeça não significa pouca coisa.

O mesmo processo de empatia e quebra de preconceito se dá com os amigos do tio. À primeira vista, são criaturas exóticas -muitos são "ursos", os gays de meia-idade, gordinhos e barbudos. Ao longo do filme, eles mostram o seu lado mais humano, derrubando as reservas de espectadores menos "antenados" no mundo gay.

Pena que algumas subtramas estão ali apenas para alongar a história e contribuir para que o espectador tome posição em favor do tio. É o caso da avó que não aceita que o tio gay cuide do menino. A disputa soa um tanto folhetinesca. No fim das contas, tio e sobrinho são personagens fortes o suficiente para justificar sozinhos o interesse dessa trama de afetos acima das preferências.

O longa trata de temas polêmicos, como a adoção de crianças por gays, consumo de drogas e a discriminação pelos contaminados por HIV+. Além de também oferecer um retrato muito diferente do ambiente gay de Madri.




Velvet Goldmine (Velvet Goldmine - EUA, Inglaterra, 1998) Drama. 117 min. Direção: Todd Haynes Estrelando: Ewan McGregor, Jonathan Rhys Meyers, Christian Bale, Toni Collette, Eddie Izzard, Emily Woof, Michael Feast, Janet McTeer

Tudo começa com o broche verde de Oscar Wilde. Numa sucessão de acasos, seu objeto vai passando entre as gerações, como uma espécie de herança do sucesso e glamour.

Os astros que desfrutam de tal sorte são Jack Fairy (Micko Westmoreland), Brian Slade (Jonathan Rhys-Meyers) e Curt Wild (Ewan McGregor). Como uma espécie de avó do movimento, ele aparece entrelaçado no cenário glam rock da Inglaterra, inspirando estrelas.

Retratam a trajetória do cantor chamado Brian Slade líder do movimento glam - cujo nome vem do glamour das roupas extravagantes, perucas de cores psicodélicas e sapatos plataforma - Slade atinge o que sempre sonhou, e transforma-se num grande astro. Todos na rua imitam seu estilo, e é ele quem transforma a fase "Paz e Amor", chegando com som feroz e incentivando a pan-sexualidade.

Inspirado na figura de Bowie, Slade é como um deus glam venerado por todos. Mas, sua posição é tão alta que, no auge do sucesso, ele se vê impossibilitado de sobreviver à persona que criou, forjando a própria morte. Quando os fãs descobrem, seu nome cai no esquecimento e ele desaparece do cenário musical.

Em 1984, Arthur, um jornalista inglês, que vive em Nova York, inicia um reportagem sobre o artista que sumiu do mapa. Criado em Manchester, ele revive sua juventude quando era mais que um fã de Brian Slade. Ele esteve muito próximo do ídolo andrógino e de seu complicado relacionamento com a mulher e com o músico americano que o influenciou, Curt Wild.

É através das investigações de Arthur que a vida do astro é contada. Ele encontra a ex-mulher de Slade Mandy, (Toni Collete, de O Casamento de Muriel) em um cabaré decadente, e através de suas lembranças os dois retornam à cena musical dos anos 70.

Como numa espécie de retrospectiva dos fatos, ela fala sobre o início da carreira do astro, sua obsessão por Curt Wild, seu casamento, traição e queda.

A partir destas entrevistas, o roteiro evocaa carreira de David Bowie e seu envolvimento com Lou Reed e Iggy Pop (inspiradores do personagem Curt Wild), sem faltar as referências a Ziggy Stardust e Alladin Sane.

Apesar da homenagem, Bowie não cedeu os direitos de nenhuma das composições pedidas por Haynes. Foi aí que o produtor-executivo do filme Michael Stipe (líder do R.E.M.) e o supervisor musical Randall Poster voltaram-se para músicos como Thom Yonke, do Radiohead, e a banda Placebo para fazer covers dos sucessos da época, além de encomendar material inédito para bandas como Pulp e Grant Lee Buffalo.




Um Caso de Amor (The Sum of Us - Austrália, 1994) Drama. 100 min. Direção: Geoff Burton, Kevin Dowling Estrelando: Russell Crowe, Jack Thompson, John Polson, Deborah Kennedy, Des James, Donny Muntz, Joss Moroney, Julie Herbert, Mick Campbell, Mitch Matthews.

O filme narra a amizade entre pai e filho que procuram por amor. Harry Mitchell (Jack Thompson) é um senhor viúvo e que divide a casa com seu filho Jeff, (Russel Crowe) homossexual assumido. Apesar de aceitar o fato do filho ser gay, Harry acaba criando impecílhos para os relacionamentos de Jeff. E Jeff, sem querer, faz o mesmo quando o pai se aproxima de uma mulher recém-divorciada.

Um filme singular, tanto na concepção de sua narrativa cheia de estilo e de maneirismos, quanto na respeitosa sinceridade do relacionamento entre um pai mulherengo e um filho "gay".

A sequência do internamento da avó lésbica e de sua conseqüente separação da companheira de anos, exibida em "flashback", como recordação do protagonista homossexual, está entre as cenas mais emocionantes do cinema nos anos 90.

Indicado para seis prêmios do A F I, inclusive filme, recebeu o de roteiro adaptado. Melhor filme no Festival Internacional de Cinema de Cleveland. Melhor roteiro no Festival Mundial de Cinema de Montréal.

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Tem mais dicas? Deixe nos comentários para próximas resenhas.
;-)



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SELO DARDOS

O querido Mabe recebeu esse selo e dentre suas indicações estava o meu blog.

Agora publico ele aqui seguindo as seguintes orientações:

“Com o Prêmio Dardos se reconhecem os valores que cada blogueiro emprega ao transmitir valores culturais, éticos, literários, pessoais, etc. e que, em suma, demonstram sua criatividade através do pensamento vivo que está e permanece intacto entre suas letras, entre suas palavras.

Esses selos foram criados com a intenção de promover a confraternização entre os blogueiros, uma forma de demonstrar carinho e reconhecimento por um trabalho que agregue valor à Web.

Quem recebe o “Prêmio Dardos” e o aceita deve seguir algumas regras:

1. exibir a distinta imagem;

2. linkar o blog pelo qual recebeu o prêmio;

3. escolher os amigos de outros blogs que mereçam ser premiados pelo Prêmio Dardos.”

Repasso esse prêmio para os seguintes blogs:

Celso Dossi

Resultado do ócio


Blog do Diógenes

Chato no Ar

Tudo Mundo


Justo & Digno


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8 de outubro de 2008

DICA - ESPETÁCULO "ESTILHAÇOS"


A peça "Estilhaços" é uma adaptação livre do diretor Rene Ramos para o texto clássico "Um Bonde Chamado Desejo" do dramaturgo norte-americano Tennessee Williams.

Nesta versão contemporânea, a saga da personagem Blanche é encenada com a perspectiva da vida dos moradores de rua da metrópole de São Paulo. Uma moradora de rua encontra um belo vestido branco num amontoado de lixo e ao vesti-lo se transporta para um mundo de reminiscências onde verdade e delírio se confundem. Passamos a acompanhar sua chegada a cidade de São Paulo onde passa a viver com a irmã Estela e o rude cunhado, Stanley.

Esse encontro entre a sensível Blanche, acostumada com o requinte do passado, e o cunhado que se adaptou a morar nas ruas como forma de fugir das regras da sociedade; entram em conflito. Quando o mundo de Blanche parece se desmoronar ela encontra esperanças na figura de outro morador, Mitch, que acena com uma perspectiva de amor e compreensão.

Toda a encenação do espetáculo "Estilhaços" tem na estética os elementos utilizados usualmente pelos moradores de rua como o plástico e o papelão. A perspectiva da encenação não é a de ressaltar a miséria, mas sim compor um painel poético e onírico à partir da realidade de um segmento da nossa sociedade que se encontra à margem da vida.


"Estilhaços"
inspirado na vida e na obra de Tennessee Willians.
Texto e direção :
Rene Ramos

Elenco: Andréa Fray, Fernando Tucori, Rejane Quaglia, Rene Ramos.

Instituto Cultural Capobianco

Rua Álvaro De Carvalho, 97/103, - Centro – São Paulo, SP
Tel.: 3255-8065 e 3237-1187
Aos domingos, 18 horas.
De 02/11 à 14/12

mais informações:

http://www.institutocapobianco.org.br/
http://fantasticafabricadebarulho.blogspot.com/2008/10/estilhaos.html

Fotos de divulgação do espetáculo AQUI

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Vamos ajudar a divulgar??
Publique o mesmo release no seu blog / site e ajude a multiplicar esse tipo de iniciativa cultural.
;-)


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7 de outubro de 2008

MUNDO MODERNO 14




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5 de outubro de 2008

ABSURDO

Sinceramente eu não sei o que ainda acontece ou que se passa pela cabeça de algumas pessoas.

Em pleno século 21, ainda existem pessoas capazes de manipular de maneira tão egoísta e mesquinha algumas pessoas que, infelizmente, ainda temos de insistir sempre no mesmo discurso contra a intolerância e o preconceito para assim, de alguma forma, sermos respeitados.

Como o Klero comentou certa vez: "só fico me perguntando até quando teremos que escrever esse tipo de conteúdo que sempre soa tão... gasto. necessário, mas antigo..."

Acessem e leiam aqui para entender o que estou falando.

P.s: Atenção aos comentários.


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1 de outubro de 2008

O CINEMA E O TEMA

O site AfterElton resolveu criar uma lista, definida por seus leitores, dos melhores filmes com a temática homossexual. Por isso, tomei a iniciativa de criar uma “listinha” particular com o mesmo tema.

Os filmes que compõem esta lista nada têm de diferente do que já é muito discutido e mostrado no cinema "tradicional". A diferença está apenas por mostrar relações e situações entre pessoas do mesmo sexo.

Por ter sido muito difícil escolher, resolvi selecionar filmes que tivesse um apelo mais “universal” – e não apenas para uma platéia homossexual. Assisti a todos esses filmes e de antemão recomendo cada uma dessas obras, além de pedir para aqueles que têm algum tipo de preconceito pelo tema, que os coloque de lado e tente dar uma oportunidade para cada um desses trabalhos. Estou certo que não irão se arrepender.

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Delicada Atração

(Beautiful Thing – Reino Unido, 1996)

Drama. 87 min. Direção: Hatt MacDonald. Estrelando: Scoot Neil, Glenn Barry, Julie Smith, Linda Henry, Meera Syal

O filme inglês, Delicada Atração (Beautiful Thing), dirigido por Hettie McDonald, é o preferido por 9 entre 10 gays que acreditam que sim, pode existir romance e amor entre iguais. McDonald foi a primeira mulher a dirigir uma peça de teatro no West End londrino, trabalhando em produções famosas como Sonhos de Uma Noite de Verão e Casa de Bonecas. Em Delicada Atração, a delicada direção de Hettie nos mostra Ste e Jamie, dois adolescentes vizinhos em um prédio de classe operária no subúrbio de Londres.

Num conjunto residencial da Inglaterra, um adolescente problemático chamado Ste (Scott Neal) atravessa umas séries crise familiares, sendo surrado freqüentemente por seu pai e seus irmãos mais velhos. Deprimido, ele acaba buscando refúgio na casa de um colega da vizinhança, Jamie (Glen Berry). Aos poucos, irá surgir um inesperado romance entre os dois rapazes.

Filme de estréia da diretora inglesa Hettie MacDonald, "Delicada Atração" foi premiado pelo júri no Festival Internacional de Cinema de São Paulo de 1996. Baseado numa peça de Jonathan Harvey.


Minha Adorável Lavanderia

(My Beautiful Laundrette – EUA, 1985)

Drama. 128 min. Direção: Stephen Frears. Estrelando: Saeed Jaffrey, Roshan Seth, Daniel Day-Lewis, Gordon Warnecke, Derrick Branch.

Sucesso de crítica, Minha Adorável Lavanderia, filme indicado ao Oscar de Melhor Roteiro em 1986, é baseado num popular romance de autoria do escritor Hanif Kureishi. Dirigido pelo talentoso e premiado diretor Stephen Frears (A Rainha, Ligações Perigosas), o longa traz o ganhador do Oscar Daniel Day-Lewis (Meu Pé Esquerdo) no papel do Johnny, um jovem que se torna amigo de um paquistanês chamado Omar (Gordon Warnecke).

Radicado na Inglaterra, Omar recebe a missão de cuidar da lavanderia de seu tio. Mas ele não imaginava os problemas que passaria a enfrentar. Sem dinheiro, mas com ótimas idéias para o negócio prosperar, Omar pede dinheiro emprestado a um traficante e convida o amigo Johnny, para trabalhar com ele. Até que o inesperado acontece: Omar e Johnny apaixonam-se um pelo outro.

Uma história que tem como cenário uma Londres desprovida de glamour e que mostra-se ácida quando se depara com o que pra ela é "diferente". Um belo filme.


Garotos de Programa

(My Own Private Idaho - EUA, 1991)

Drama. 102 min. Direção: Gus Van Sant Estrelando: River Phoenix, James Russo, Keanu Reeves, William Richert, Rodney Harvey, Chiara Caselli, Grace Zabriskie, Michael Parker, Jessie Thomas, Tom Troupe, Udo Kier

River Phoenix e Keanu Reeves são as estrelas desta impressionante história do diretor Gus Van Sant (Gênio Indomável) a respeito de dois jovens garotos de programa que ganham a vida nas ruas. Mike Waters é um sensível narcoléptico que sonha com a mãe que o abandonou enquanto vive às voltas com Scott Favor, obstinado filho do prefeito de Portland e seu grande objeto de desejo.

Navegando em um mundo volátil de viciados, ladrões e mendigos, Mike leva Scott em uma jornada direto das ruas para as estradas abertas da América em busca de um lugar distante chamado "lar". Inovador e visualmente surpreendente, Garotos de Programa traz um olhar único a respeito do amor sem limites e da vida à margem da sociedade.




Minha Vida em Cor-de-Rosa

(Ma vie en rose - França, Bélgica, Inglaterra, 1997)

Comédia, Drama. 88 min.Direção: Alain Berliner Estrelando: Michèle Laroque, Jean-Philippe Écoffey, Hélène Vincent, Georges Du Fresne, Daniel Hanssens, Laurence Bibot, Jean-François Gallotte, Caroline Baehr, Julien Rivière

Ma Vie en Rose, produção franco-belga, do diretor belga Alan Berliner. O longa, de 1997, conta a história de Ludovic, um menino que pensa que é uma garota e age como tal. A família não sabe como agir com o filho, que recebe olhares indignados da vizinhança e dos amigos. Com o passar do tempo, entretanto, as pessoas aprendem a conviver com seu jeito diferente.

Ele cresce imaginando que nasceu no corpo errado: na verdade, acredita ser uma menina. Logo na primeira seqüência, aparece em uma festinha promovida pelos pais para atrair a nova vizinhança em um lindo vestidinho. A impressão e o mal-estar não saem das cabecinhas dos vizinhos, que começam a pressionar e ridicularizar o garoto.

A rejeição se estende aos pais, aos colegas e a qualquer um que se aproxime de um sintoma de homossexualidade tão latente. Ludovic refugia-se do tormento em um mundo róseo, onde só cabem a boneca Pam, uma Barbie espevitada, e o apoio afetivo da avó (Helene Vincent).

O filme fez sucesso nos festivais gays e em mostras de cinema, pois apesar de seu enfoque engraçado, sublima uma mensagem mais que edificante de convivência com as diferenças.


Maurice

(Idem- Inglaterra, 1987)

Drama. 140 min. Direção: James Ivory Estrelando: James Wilby, Hugh Grant, Rupert Graves, Denholm Elliott, Simon Callow, Billie Whitelaw, Barry Foster, Judy Parfitt, Phoebe Nicholls, Patrick Godfrey (1), Mark Tandy, Ben Kingsley, Kitty Aldridge, Helena Michell, Catherine Rabett.

Maurice (lançado no Brasil e em Portugal sob o título original) é um filme britânico de 1987, do gênero drama, dirigido por James Ivory, com roteiro baseado no romance homônimo de E. M. Forster.

Após ser apresentado a Lord Risley em uma de suas aulas, Maurice Hall, jovem estudante de Cambridge, é convidado a participar de um clube privado de discussões. Em busca do local onde seria realizado o encontro, conhece Clive Durham, e os dois tornam-se imediatamente amigos inseparáveis. À medida que se tornam mais íntimos, ambos percebem que estão se apaixonando, mas evitam confessar a natureza de seus sentimentos, uma vez que a homossexualidade, além de socialmente condenada, ainda era considerada crime na Inglaterra no século XIX.

Apesar de ter recebido resenhas relativamente elogiosas da crítica especilizada, o filme não teve uma carreira tão positiva no ponto de vista comercial. Muitos sugerem que, ao menos em parte, isto se deveu à natureza polêmica do tema - os conflitos de identidade sexual de um jovem inglês no final do século XIX - razão que, aliás, já levara o próprio escritor a determinar que o romance só pudesse ser publicado postumamente.

Maurice também impulsionou a carreira de Hugh Grant, que após interpretar a personagem de Clive Durnham passou a atuar com mais intensidade no mercado cinematográfico europeu, trabalhando com diretores tais como Nicolas Klotz, Gonzalo Suárez e Roman Polanski. O filme conta ainda com diversos coadjuvantes de luxo, tais como Ben Kinsgley, Dernholm Elliot e Simon Callow.


Crazy – Loucos de Amor

(Crazy – Canadá, 2005)

Drama - Comédia. 127 min.Direção: Jean-Marc Vallée Estrelando: Elenco: Michel Côté, Marc-André Grondin, Danielle Proulx, Émile Vallée, Pierre-Luc Brillant, Maxime Tremblay, Alex Gravel, Natasha Thompson, Johanne Lebrun, Mariloup Wolfe, Francis Ducharme, Hélène Grégoire, Michel Laperrière, Jean-Louis Roux, Mohamed Majd.


C.R.A.Z.Y. conta a história de dois casos de amor. Um amor de um pai pelos seus cinco filhos e o amor de um filho pelo pai. Um amor tão forte capaz de fazê-lo viver uma mentira. Os Beaulieu formam uma família de pessoas comuns em busca da felicidade. O filme os acompanha por algumas décadas, em três períodos distintos: 1967-1968, 1974-1975, 1980-1981.

Formada por cinco filhos, o único da família que tem um destino particular é Zachary, o Zac, que sua mãe vê como possuidor de dons especiais. Os eventos que atravessam a vida de Zac parecem mesmo obra de Deus, têm qualquer coisa de sobrenatural. Mas apesar do lado místico e fantasioso, o filme não se atém apenas a seus poderes, acompanha o combate que Zac trava contra sua natureza e mesmo contra Deus, o conflito sobre sua identidade sexual e a luta por ser “normal” e aceito pelo pai. A música assume papel de destaque na narrativa.

A própria força de Zac surge através dela. Na adolescência, tornar-se um roqueiro foi a única maneira que encontrou para expressar sua diferença. Ele necessita desse imaginário proporcionado pela música para sobreviver e para permitir à sua alma respirar, como num instante de sonho. Todas as canções dos anos 70 representam mais que um fundo musical: as personagens do filme não se contentam apenas em entendê-las; vivem com elas.

Na família Beaulieu, a música parece ter um poder mágico. Entre elas, “Space Odity”, de David Bowie, Pink Floyd, Rolling Stones e especialmente, a canção "Crazy", de Patsy Cline. Com roteiro assinado por Jean-Marc Vallée e François Boulay, inspirado em suas próprias experiências, o longa procura, através da história dessa família, passar uma mensagem otimista sobre a vida, positiva e feliz.


Meninos Não Choram

(Boys Don't Cry - EUA ,1999)

Drama. 118 min. Direção: Kimberly Peirce Estrelando: Hilary Swank, Chloë Sevigny, Peter Sarsgaard, Brendan Sexton, Alison Folland

Baseado na história real de Teena Brandon, Meninos Não Choram (Boys Don't Cry) relata a juventude de uma jovem garota que decide assumir sua homossexualidade, mas para fugir do preconceito e negação da sociedade, adota nova identidade, transformando-se no garoto Brandon. Com isso, nos Estados Unidos, surge um ser com uma vida dupla extraordinária, que vive um triângulo amoroso complicado e que é vitima de crime que abalaria o interior do país.

Em Lincoln, sua terra natal, Brandon Teena era uma pessoa diferente, envolvido numa crise pessoal que o assombrou durante toda a sua vida. Como muitos jovens, ele cometeu erros e, quando Brandon impõe-se entre seu novo amor, Lana, e o amigo dela, John (Peter Sarsgaard), o mistério desdobra-se em violência.

Em sua vida singular e curta, Brandon Teena foi, ao mesmo tempo, um amante arrebatador e um forasteiro preso numa armadilha, um "ninguém" empobrecido e um sonhador elaborado, um ladrão audacioso e a vítima trágica de um crime injusto.

Meninos explora as contradições da identidade e juventude americana através da vida e da morte de Brandon. Através de um caos de desejo e assassinato, surge a história de um jovem americano à procura do amor, de si mesmo e de um lugar para chamar de lar.

Uma história verdadeira sobre esperança, medo e a coragem de ser você mesmo,o longa reconhecido como "Um dos Melhores Filmes de 1999" pela National Board of Review. Aclamado pela crítica, com duas indicações ao Oscar e dois Globos de Ouro, este drama conta ainda com as incríveis performances dos novos talentos Hilary Swank e Chloë Sevigny.


Bent

(Idem– Inglaterra, 1997)

Drama. 109 mim. Direção: Sean Mathias Estrelando: Lothaire Bluteau, Clive Bluteau, Clive Owen, Brian Webber, Jude Law, Mick Jagger

Baseado em peça escrita por Martin Sherman, Bent relata o drama dos homossexuais na época áurea do nazismo na Alemanha, onde o pano de fundo deste trabalho é a Berlin dos anos 30, algo deixado bem claro na sua fortíssima seqüência inicial.

Na noite que ficou conhecida como "A Noite dos Punhais", no Greta´s, um cabaré pertencente a Greta/George (Mick Jagger, travestido, num trapézio, participação digamos que inusitada), somos apresentados a Max (Clive Owen) e Rudi (Brian Webber), participantes de um bacanal que estabelece o tom decadente da cidade. Mathias filma esta abertura como uma rave moderna, demente e promíscua. E preferi entender que há esse clima de orgia e festa tão marcados, quase exagerados para que haja um contraste no decorrer do filme. Para que se estabeleça uma ruptura de atmosferas.

É a partir desta noite que a história se situa e acontece a perseguição implacável da SS à comunidade gay de Berlin, composta por "vermes" que deveriam ser extirpadas brutalmente da sociedade alemã. Aos poucos, somos informados que, na hierarquia do holocausto, era preferível ter a estrela de Davi (utilizada em judeus) no peito do que o triângulo cor-de-rosa, reservado aos homossexuais. Nesta situação limite, Max e Rudi partem para o exílio.

Com esta idéia básica de amor X opressão, Bent nos apresenta duas leituras: a primeira oferece uma metáfora para a situação marginalizada do homossexual na sociedade, normalmente obrigado a esconder sua orientação sexual e comunicá-la, entre eles próprios, através de códigos.

Numa segunda leitura, o filme transcende as barreiras de sexo e gênero, funcionando num nível filosófico mais elevado, deixando de ser simplesmente um filme gay, mas passando a ser forte o suficiente para falar a todos. Chega a ser comovente o estado de opressão extrema que Max e Horst são obrigados a enfrentar, especialmente ao comunicarem-se clandestinamente em situações extremas. A cena em que os rapazes fazem amor somente usando palavras, sem sequer se tocarem, é uma grande cena do cinema. Uma grande cena da literatura teatral mundial. E uma linda história de amor.


Plata Quemada

(idem - França, Espanha, Argentina, Uruguai, 2000)

Drama. 125 min. Direção: Marcelo Piñeyro. Estrelando: Eduardo Noriega, Leonardo Sbaraglia, Leticia Bredice, Ricardo Bartis, Carlos Roffe, Héctor Alterio


Baseado em uma história real, Plata Quemada narra o espetacular crime ocorrido em 1965, que manteve dois países como reféns do terror por dois meses.

Conhecidos como "Os Gêmeos", Angel e Nene são dois amigos inseparáveis. Dois matadores que assaltam o caminhão que transporta os pagamentos da cidade de San Fernando. São sete milhões em jogo.

Depois do crime eles decidem fugir para o Uruguai até que passe a febre dos policiais sedentos por vingança. Lá, se escondem em um apartamento emprestado por um mafioso, sabendo que não devem aparecer enquanto esperam documentos fraudados para fugir ao Brasil. Porém, os documentos não chegam, eles não agüentam a clausura e na noite uruguaia, cada um sairá em busca de sua sorte.

O filme mostra a intensa intimidade da relação entre os dois ladrões que se conhecem no banheiro de uma estação de trem e, desde então, passam a ser companheiros em tudo: nos planos de assalto e na cama. Plata Quemada é uma história de amor, desencontros e solidão que se unem, em vidas levadas ao limite.


Querelle

(Idem - Alemanha, 1982)

Drama. 108 min. Direção: Rainer Werner Fassbinder. Estrelando: Brad Davis, Franco Nero, Jeanne Moreau , Gunther Kaufmann, Hanno Poschl.

Filmado com uma clara referência as pinturas de George Quaintance e pela escola surrealista de artistas como Giorgio de Chirico e Salvador Dalí, uma obra marcada por desenhos de marinheiros mal vestidos e permeado pelos ácidos tons amarelo e laranja, um grande filme tomou corpo. Falo de Querelle . Último longa do diretor Rainer Werner Fassbinder (que faleceu devido a uma overdose de drogas logo após a conclusão das filmagens) e adaptado a partir do romance Querelle de Brest, obra do autor francês Jean Genet.

Com o enredo centrado na história do jovem marinheiro francês Querelle, quando este chega a Brest e começa a freqüentar um estranho bordel. Ele acaba descobrindo que o seu irmão é o amante da dona, Lysiane. Quem, neste lugar, aceitar uma disputa de jogo de dados com o famoso Nono, marido da dona do bordel, e ganhar, faz amor com Lysiane. Mas, no caso de derrota, faz sexo com Nono. Porém é extremamente nítida a vontade de Querelle em querer perder esse jogo.

Trata-se de um filme diferente, tanto na sua concepção quanto no seu conteúdo. O cenário é visivelmente gravado em estúdios. Gerando assim, uma pertinente teatralização para a história. Com a luz que recai sobre os atores, esta enfatiza o aspecto sombrio em torno dos personagens e consegue nos envolver naquela atmosfera carregada ao extremo pelo erotismo.

Aborda de maneira corajosa, para a época, o tema da homossexualidade (período onde inúmeros casos de AIDS começaram a pipocar na mídia, onde ainda “creditavam este vírus como doença de Gays”) sendo provocador àqueles que discriminam os que são favoráveis a esta orientação.

Com a frases "todo homem mata aquilo que ama", temos a máxima que pontua a subversão desse filme. Há um crime, que termina por envolver várias pessoas, as que desembarcaram no porto, e as que vivem ali. Quem morreu? Quem matou? O que tem Querelle com toda essa história? Pontas abertas que nos levam a reflexão.

No decorrer do filme podemos observar e constatar a transformação de um jovem garoto em um homem. Com isso, Querelle acaba subvertendo a ordem de um jeito que encanta.

A visão que Fassbinder nos ofecere é do ponto de vista de personagens marginalizados. A vida em cantos obscuros vista e questionada por personagens mais obscuros ainda. No decorrer do filme podemos observar um jovem garoto que se transforma em um homem. Querelle acaba subvertendo a ordem de um jeito que encanta.

Com excelentes interpretações de Brad David como Querelle, de Franco Nero como Tenente Seblon e de Jeanne Moureau no papel de Lysiane. (Por sinal a única mulher do filme. Seria alguma referência Freudiana?)



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