6 de novembro de 2008

ESPERANÇA E PROGRESSO


Como todos já sabem, Barack Obama foi eleito presidente dos EUA, após oito anos de governo Bush e dos Republicanos.

Diversos jornais, revistas, sites e blog’s ovacionaram esse feito devido ao seu caráter histórico: O primeiro negro a ocupar a cadeira de presidente da maior potência econômica mundial, mesmo com o histórico da questão racial nos Estados Unidos, onde a segregação lá sempre foi muito forte, e ainda é um elemento ainda enraizado na cultura americana. Com isso, a eleição de Obama trouxe a esperança da chegada de novos elementos à política americana.

Mas, o que isso muda para o Brasil? Simplesmente NADA.

Explico: Apesar de Obama e os democratas, em específico, terem uma capacidade de diálogo, muito maior do que os republicanos, e serem muito mais multilaterais quanto a uma possibilidade de consenso nas relações, trata-se de um consenso no dissenso.

Os EUA são uma potência que sempre irá brigar para continuar sendo uma potência e eles NUNCA irão querer receber menos. Eles vão sempre querer receber alguma coisa em troca, principalmente do Brasil.

Não podemos nunca esquecer que, mesmo em meio à crise, eles não vão se submeter a um país, ainda mais um latino-americano. Quando se pensa nas relações comerciais entre Brasil e Estados Unidos, o democrata é muito mais protecionista.

Esse tipo de postura é negativa para o Brasil, principalmente em relação aos biocombustíveis. Eles são extremamente protecionistas, pois priorizam os recursos e querem proteger os setores internos, ainda mais nessa crise que assola o EUA.

Entretanto, segundo alguns cientistas políticos, pode haver maior abertura para o Brasil conquistar uma cadeira permanente no Conselho de Segurança na ONU. Esse antigo desejo, da diplomacia brasileira, daria ao país poder de decisão na geopolítica mundial. Não esquecendo (novamente) que apesar dessa brecha não significa que Obama fará os Estados Unidos abrirem mão de sua hegemonia.

Diretos Civis dos Casais Homossexuais

Durante a sua campanha, Barack Obama sempre mostrou-se favorável aos direitos civis LGBT. Nos seus discursos sempre estavam presentes a defesa aos direitos de casais homosexuais e o apoio para o fim da política do “Don’t Ask, Don’t Tell”, que proíbe que homossexuais assumidos sirvam as Forças Armadas.

Para diversas ONG’s e associações que defendem os direitos LGBT a eleição de Barack Obama, abriu um caminho para uma nova política sobre os homossexuais, onde também permitirá impulsionar a luta contra a aids.

Pois, quando Bush apostava na abstinência, por assim dizer, como a única alternativa para combater a epidemia. Obama abriu novas possibilidades, outras políticas, uma concepção muito distinta sobre a sexualidade, que também pode beneficiar a todos.

Contudo é importante lembrar que Obama nunca falou muito, em discursos abertos ao grande público sobre isso, deixando bem claro que, ao não mencionar abertamente que irá lutar pelos direitos dos LGBT, já é uma indicação que nada é tão simples assim, principalmente nos EUA.

Apoiar abertamente a causa gay pode dar alguns votos, mas pode tirar milhares de outros. Lá a aprovação de várias leis independem da decisão do presidente e são votadas nos Estados, por meio de consultas à população.

No dia 04/11, além da votação para presidente, aconteceu na Califórnia a votação da “Proposta 8”, que afirma que o casamento "deve ser realizar apenas entre um homem e uma mulher" e que aconteceu? A população, em sua maioria, votou em favor desta proposta e apesar dos 18 mil casais que se já casaram não perderem seus direitos, mais nenhum casamento homossexual poderá ser realizado.

Mas como então os EUA elegeram Barack Obama?

Simples: Obama recebeu votos em massa de negros, latinos, pobres e setores democratas da população, mas nada indica que estes setores sejam liberais e tolerantes com relação à homossexualidade. E, em uma real democracia, os representantes eleitos pelo povo devem seguir a decisão da maioria, que por enquanto não acha que os LGBT necessitam (ou merecem) igualdade de direitos.

Porém, esperamos que este apoio às causas homossexuais não tenha sido apenas para obter votos, pois (aparentemente) já existe o apoio do novo presidente, sendo agora o trabalho de conscientizar a base - e como o líder Obama pode influenciar a população dos EUA e, consequentemente, como isso pode refletir, em especial, no nosso país.

4 deixaram seu recado:

Zé Hilário 6 de novembro de 2008 13:58  

mas a américa latina não é prioridade nas politicas dele, ao menos não nesse mandato, acho que a politia externa não vai ser a prioridade... os democratas historicamente são mais ligados a questões externas e no todo. Mas o cara ta pegando uma nação economicamente destroçada, com mais de 1,5 milhão de pessoas sem casa, perderam as casas nos ultimos 60 dias - fora os 15 milhões de desabrigados que ja existiam no país.

A crise por la é grave e grande e vai demorar até ser resolvida.

O cara é bom? é. É um momento histórico? é. Mas é foda.

Daniel 6 de novembro de 2008 14:12  

é mesmo ilusão achar que Obama significa essa maravilha toda. Republicanos e Democratas, na verdade, têm posições muito parecidas. Democratas apenas são levemente mais liberais em algumas questões mais tópicas sobre direitos civis e só.

E se democracia é o 'governo do povo', a melhor democracia é aquela que sabe se diferenciar de uma ditadura da maioria ao proteger também as minorias.

Fabianny 9 de novembro de 2008 00:08  

Olá Rubens, gostei muito do seu blog!

E realmente estou chocada com esse retrocesso na lei americana. Fiquei sabendo hoje. Sinceramente, não tenho muita fé que Obama mude muito as coisas para o lado de cá. Bastou-me ler seu discurso de posse: patriota e vazio. Mas eu posso estar errada. Aliás, prefiro estar errada.

Um abraço!

Postar um comentário

  ©Template by Dicas Blogger.

TOPO