9 de outubro de 2008

LISTA DO LEITOR

Nesse post fiz uma pequena lista dos filmes que tinham um apelo mais "universal" e que discorriam sobre o universo GLBT.

Dentre os comentários, vários leitores sugeriram outros filmes e consequentemente me senti compelido a assistir e comentar posteriormente sobre tais dicas (embora algumas sugestões eu já tinha assistido)

Por isso, seguem abaixo resenhas sobre esses filmes, onde não tenho o intuito de fazer uma critica ou tão pouco classificar este ou aquele trabalho como bom ou ruim. A intenção aqui é de simplesmente dividir experiências e multiplicar as diferentes opiniões.

Então, vamos lá:




O Padre (Priest - Inglaterra, 1995) Drama. 105 min. Direção: Antonia Bird Estrelando: Linus Roache, Tom Wilkinson, Robert Carlyle, Cathy Tyson

O filme narra a vida do Padre Greg, que enfrenta um caso de abuso sexual contra Lisa, uma adolescente de 14 anos; onde ela revela o abuso, praticado pelo pai, na confissão. Esse é o grande fio condutor da história - além do fato de Padre Greg ser homossoxual.

Eventualmente, lá pela segunda metade do filme, o Padre Greg é flagrado pela polícia com o namorado (interpretado por Robert Carlyle, de Uma Canção para Carla/Carla’s Song) no que eles chamam de ato obsceno em um carro; o caso vai para os jornais e para a Justiça. O suporte que recebe de Padre Matthew é tão imenso quanto o que não recebe do resto da Igreja.

Padre Greg (Linus Roache) é enviado para trabalhar em uma paróquia em Liverpool. Ele fica surpreso ao ver que seu novo superior, padre Matthew (Tom Wilkinson), não cumpre o celibato, mantendo um relacionamento com uma mulher. Este é apenas o primeiro fator que fará com que Greg entre em conflito e questione algumas regras da Igreja. Um segundo fator é a descoberta da própria homossexualidade, quando se apaixona por um rapaz (Robert Carlyle).

Mas o que mais o tortura é quando uma menina de 14 anos lhe conta que sofre abusos por parte do pai, mas Greg está de mãos atadas pelo sigilo da confissão. Dividido entre sua vocação e sua sexualidade, entre as regras da Igreja e os problemas que testemunha, Greg teme ter sua fé abalada.

Em suma, O Padre revela-se um grande filme. Um filme corajoso, profundamente progressista, anti-establishment, antipreconceitos de todos os tipos. Não é um filme contra a Igreja Católica - embora seguramente 95% da hierarquia católica deva considerá-lo assim. Nem muito menos anticristão. É anti-hierarquia, anti o que a máquina da Igreja criou em torno dos preceitos básicos da religião. O que está em pauta, especificamente, é a exigência do celibato - e, mais especificamente ainda, mais ousadamente ainda, o tabu que é quebrar o celibato com uma ligação homossexual.

Mas o filme na verdade vai além desse específico. Não é um filme contra a exigência do celibato, e contra o pavor que todos têm de um padre homossexual. É aquilo de que falei duas linhas acima: é anti-hierarquia, anti quase tudo o que a máquina da Santa Madre criou para defender a monarquia mais duradoura da história da humanidade. E anti-hipocrisia, anti os falsos cristãos.

O final do filme é tão brilhante quanto o começo. O Padre Matthew insiste em que os dois celebrem juntos uma missa de domingo. A pregação libertária que ele faz nessa missa é um manual de resistência ao atraso, ao conformismo. Ao final da missa e do filme, os dois se colocam para dar a comunhão; forma-se uma grande fila diante do Padre Matthew, mas ninguém se posta para receber o sacramento do “padre gay”, como alguém da congregação define; só Lisa, a adolescente que ele de alguma maneira salvou do abuso do pai, vai até ele. É tristíssimo, é emocionante, é lindo.




Cachorro (Bear Cub - Espanha, 2004) Comédia/Drama. 99 min. Direção: Miguel Albaladejo Estrelando: Jose Luis Garcia-Perez, David Castillo, Arno Chevrier, Elvira Lindo, Mario Arias, Diana Cerezo, Josele Roman, Empar Ferrer, Felix Alvarez

Um homossexual promíscuo e um menino de nove anos que fica sobre seus cuidados são os protagonistas e o fio condutor do longa espanhol "Cachorro".O sexto filme do espanhol Miguel Albadalejo, que teve sua estréia mundial no Festival Internacional de Cinema de Berlim.

Pedro, vivido por José Luis García-Pérez ("Padre Coraje"), é um dentista que curte sua vida sexual adoidado, porém sua vida muda completamente quando tem que cuidar de seu sobrinho, Bernardo (David Castillo), cuja mãe foi detida na Índia por porte de drogas.

O mérito de "Cachorro" é tratar o sexo (mais especificamente a homossexualidade) numa chave melodramática, respeitosa e até edificante sem nunca soar chato ou pretensioso.

Bernardo, um menino de 11 anos, passa a viver com o tio gay, Pedro. No começo, o tio muda radicalmente de vida para não chocar o garoto, mas com o tempo vai se sentindo mais à vontade. E ao assumir aos poucos sua identidade para Bernardo, faz com que o menino também busque a sua -não sexual, pois ainda é muito novo, mas no sentido mais amplo, das atitudes. Nesse sentido, a decisão de raspar a cabeça não significa pouca coisa.

O mesmo processo de empatia e quebra de preconceito se dá com os amigos do tio. À primeira vista, são criaturas exóticas -muitos são "ursos", os gays de meia-idade, gordinhos e barbudos. Ao longo do filme, eles mostram o seu lado mais humano, derrubando as reservas de espectadores menos "antenados" no mundo gay.

Pena que algumas subtramas estão ali apenas para alongar a história e contribuir para que o espectador tome posição em favor do tio. É o caso da avó que não aceita que o tio gay cuide do menino. A disputa soa um tanto folhetinesca. No fim das contas, tio e sobrinho são personagens fortes o suficiente para justificar sozinhos o interesse dessa trama de afetos acima das preferências.

O longa trata de temas polêmicos, como a adoção de crianças por gays, consumo de drogas e a discriminação pelos contaminados por HIV+. Além de também oferecer um retrato muito diferente do ambiente gay de Madri.




Velvet Goldmine (Velvet Goldmine - EUA, Inglaterra, 1998) Drama. 117 min. Direção: Todd Haynes Estrelando: Ewan McGregor, Jonathan Rhys Meyers, Christian Bale, Toni Collette, Eddie Izzard, Emily Woof, Michael Feast, Janet McTeer

Tudo começa com o broche verde de Oscar Wilde. Numa sucessão de acasos, seu objeto vai passando entre as gerações, como uma espécie de herança do sucesso e glamour.

Os astros que desfrutam de tal sorte são Jack Fairy (Micko Westmoreland), Brian Slade (Jonathan Rhys-Meyers) e Curt Wild (Ewan McGregor). Como uma espécie de avó do movimento, ele aparece entrelaçado no cenário glam rock da Inglaterra, inspirando estrelas.

Retratam a trajetória do cantor chamado Brian Slade líder do movimento glam - cujo nome vem do glamour das roupas extravagantes, perucas de cores psicodélicas e sapatos plataforma - Slade atinge o que sempre sonhou, e transforma-se num grande astro. Todos na rua imitam seu estilo, e é ele quem transforma a fase "Paz e Amor", chegando com som feroz e incentivando a pan-sexualidade.

Inspirado na figura de Bowie, Slade é como um deus glam venerado por todos. Mas, sua posição é tão alta que, no auge do sucesso, ele se vê impossibilitado de sobreviver à persona que criou, forjando a própria morte. Quando os fãs descobrem, seu nome cai no esquecimento e ele desaparece do cenário musical.

Em 1984, Arthur, um jornalista inglês, que vive em Nova York, inicia um reportagem sobre o artista que sumiu do mapa. Criado em Manchester, ele revive sua juventude quando era mais que um fã de Brian Slade. Ele esteve muito próximo do ídolo andrógino e de seu complicado relacionamento com a mulher e com o músico americano que o influenciou, Curt Wild.

É através das investigações de Arthur que a vida do astro é contada. Ele encontra a ex-mulher de Slade Mandy, (Toni Collete, de O Casamento de Muriel) em um cabaré decadente, e através de suas lembranças os dois retornam à cena musical dos anos 70.

Como numa espécie de retrospectiva dos fatos, ela fala sobre o início da carreira do astro, sua obsessão por Curt Wild, seu casamento, traição e queda.

A partir destas entrevistas, o roteiro evocaa carreira de David Bowie e seu envolvimento com Lou Reed e Iggy Pop (inspiradores do personagem Curt Wild), sem faltar as referências a Ziggy Stardust e Alladin Sane.

Apesar da homenagem, Bowie não cedeu os direitos de nenhuma das composições pedidas por Haynes. Foi aí que o produtor-executivo do filme Michael Stipe (líder do R.E.M.) e o supervisor musical Randall Poster voltaram-se para músicos como Thom Yonke, do Radiohead, e a banda Placebo para fazer covers dos sucessos da época, além de encomendar material inédito para bandas como Pulp e Grant Lee Buffalo.




Um Caso de Amor (The Sum of Us - Austrália, 1994) Drama. 100 min. Direção: Geoff Burton, Kevin Dowling Estrelando: Russell Crowe, Jack Thompson, John Polson, Deborah Kennedy, Des James, Donny Muntz, Joss Moroney, Julie Herbert, Mick Campbell, Mitch Matthews.

O filme narra a amizade entre pai e filho que procuram por amor. Harry Mitchell (Jack Thompson) é um senhor viúvo e que divide a casa com seu filho Jeff, (Russel Crowe) homossexual assumido. Apesar de aceitar o fato do filho ser gay, Harry acaba criando impecílhos para os relacionamentos de Jeff. E Jeff, sem querer, faz o mesmo quando o pai se aproxima de uma mulher recém-divorciada.

Um filme singular, tanto na concepção de sua narrativa cheia de estilo e de maneirismos, quanto na respeitosa sinceridade do relacionamento entre um pai mulherengo e um filho "gay".

A sequência do internamento da avó lésbica e de sua conseqüente separação da companheira de anos, exibida em "flashback", como recordação do protagonista homossexual, está entre as cenas mais emocionantes do cinema nos anos 90.

Indicado para seis prêmios do A F I, inclusive filme, recebeu o de roteiro adaptado. Melhor filme no Festival Internacional de Cinema de Cleveland. Melhor roteiro no Festival Mundial de Cinema de Montréal.

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Tem mais dicas? Deixe nos comentários para próximas resenhas.
;-)



7 deixaram seu recado:

Celso Dossi 9 de outubro de 2008 13:43  

Eu já tinha visto o selo (e ficado orgulhoso). :)
"O Padre" é incrível. E a cena de sexo de 'Velvet Goldmine" então...

Serginho Tavares 9 de outubro de 2008 13:44  

eu adoro o padre. os outros filmes ainda não vi... preciso ver velvet goldmine e um caso de amor! adorei a sinopse de cachorro!
adorando essas dicas!
beijos

TEAGO S. A. 9 de outubro de 2008 14:08  

boas as indicações...
vou procurar esse filmes

Clebs 9 de outubro de 2008 14:09  

Super me interessei...será que vão me achar gay se eu pedir esses videos na minha locadora!??? hahahahaha

e, "Cachorro"????? hummm.....

Diógenes de Souza 9 de outubro de 2008 15:42  

Adorei as dicas. Uma pena que aqui no nordeste, mais precisamente em Sergipe, é difícil envontrá-los. Vou tentar a internet. Adorei a história do "O Padre", tô doido para vê-lo.

Abraço! Sucesso!

Daniel 9 de outubro de 2008 19:58  

AMO "Velvet Goldmine"
pena que o Bowie não aprovou o uso das músicas dele. teria sido perfeito.

Marcos Freitas 12 de outubro de 2008 00:13  

Tenho muita vontade de ver esse filme "O Padre", hoje assisti "Minha Vida Cor de Rosa", muito bom.

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