28 de outubro de 2008

FAZER AMIGOS

*postagem original no Pink Ego

Hoje em dia anda muito difícil fazer amigos e eu não falo isso porque não entra mais ninguém decente no Chat do UOL não. Pra quem não lembra do processo, tudo começa ainda no colégio, quando você descobre que existe os amigos, aqueles pra quem a gente conta as coisas, e os colegas, os que andam junto contigo, mas que não merecem muita confiança. Criam-se os grupos e provavelmente o cara mais bonito da sala vai pegar a menina mais gata e despertar a sua primeira inimizade.

Quando éramos mais novos, mais bonitos e menos barbudos, fazer amigos era a coisa mais fácil do mundo. Era só tropeçar em alguém da mesma idade, com uma cara de saudável e perguntar: “oi, quer ser meu amigo?”. Se morasse perto então ou tivesse brinquedos legais, ficava melhor ainda. Não exigia confiança, número de celular e raramente ele te pedia dinheiro emprestado.

Na pré-adolescência, o que estragava era a história dos melhores amigos, que são uma versão primitiva dos amigos de verdade. Os melhores amigos são aqueles com quem voce passava horas no telefone ou no shopping se voce for uma garota; passava horas jogando futebol e falando da prima gosta se voce for um garoto; passava horas jogando Mortal Kombat II no SuperNes se você for um nerd.

Hoje, ja não é possível fazer amizades de verdade após os 23 anos. Mesmo porque, depois de ficarmos razoávelmente velhos, começamos a diferenciar os amigos dos amigos de verdade e isso é uma bobagem que só faz com que você passe os sábados vendo Tina Fey imitar Sarah Palin no Saturday Night Live. Exigimos que eles compreendam nossos dramas, nossa falta de tempo, que aceitem nossas loucuras excentricidades e que nos dêem ingressos pra shows de graça.

A vida passa e vamos nos acostumando também a ter grupos de amigos sazonais. Os amigos do trabalho, os amigos do ex-estágio, os amigos do prédio, os amigos da faculdade e acabamos perdendo alguns pelo meio do caminho. Eles começam a namorar e te deixam de lado, mudam de religião, viram vegetarianos ou começam a comer insetos e participar de cultos de xamanismo. E é bem provável que com o tempo você se esqueça da maioria deles.

O ICQ morreu, veio o MSN, depois o Orkut e conseguimos dar uma certa sobrevida à amizades mal-resolvidas e distâncias mal-explicadas. No entanto, não é raro aparecer um ex-amigo, perdido no tempo, deixando um scrap dizendo que está morrendo de saudades, que casou e yatta yatta yatta vocês voltam a se falar. Mesmo que já não tenham mais nada em comum a não ser conversar sobre o passado.

É uma pena que a gente se acostume a manter contato com essas pessoas apenas pelo meio virtual. Saber o que ela está fazendo pelo Twitter, as músicas que ouve pelo Last.fm e as pornografias que ela está cadastrada pelo Google dá um certo alívio de não ser um amigo relapso. Sempre tive medo de ser aquele que não liga pra ninguém, que se faz de blasé e vive trocando de amigos, mas, acontece.

O tempo e essa vida corrida toda torna cada vez a gente mais distante de ser um amigo, um melhor amigo, um amigo de verdade. Triste saber que dizer “oi, quer ser meu amigo”, quer dizer pedir pra você clicar aqui. E se você pensa assim, no donut for you!


14 deixaram seu recado:

uomini 28 de outubro de 2008 13:48  

Pensando assim o futuro não parece muito empolgante... Infortúnio! (Um beijão!)

ludo 29 de outubro de 2008 11:13  

Estava pensando em fazer um post sobre isso dia desses. Tenho vários grupos de amigos que foram se formando ao longo da vida (do colégio, da roça, da hípica, da praia, da facu, os gls e agora do blog) e em todos os grupos sempre tem ao menos uma pessoa muito querida que não quero perder contato.
Porém, é incrível, mas esses grupos não se misturam pelo mais diversos motivos, de forma que administrar isso tudo fica super complicado e acabo encontrando o pessoal apenas em eventos sazonais (aniversários, casamentos e até mesmo em velórios).
Já quanto a fazer novas amizades depois de velho, pensava assim também, mas no último ano, posso afirmar que fiz grandes amigos blogueiros. E não é só de esquenta e balada. Até uma tripzinha já rolou.
Mas tirando isso, acho que os últimos grandes amigos que tive foram da facu, e olha que me formei há quase 4 anos.
Punk isso.

Alexandre Lucas 30 de outubro de 2008 00:48  

Acredito que devemos agir espontaneamente e as pessoas afins naturalmente aparecem. Sou muito feliz pelos amigos sempre presentes em minha vida =D

Rafael 31 de outubro de 2008 09:44  

Fiz grandes amizades durante um estágio e após o término do contrato temporário alguns se efetivaram e outros partiram, como eu. Mesmo assim tento manter contato por telefone e internet. Claro, a distância de cada um impede um freqüente contato físico. Alguns se casaram, outros tiveram filhos e uma foi fazer mestrado em outra cidade. Mas o interessante é que sempre sou lembrando por eles. Fui à festa de casamento da primeira, ao aniversário dos filhos de outros e velórios também contabilizaram alguns encontros.
Porém, o mais importante, é saber que as grandes e poucas amizades sobrevivem em nossos corações. Mesmo distante, penso neles, e tenho certeza que todos pensam em mim. E o que nos resta a fazer, é esperar um próximo encontro para dar aquele abraço e matar a saudade.

Uillow 31 de outubro de 2008 10:32  

Conheço gente que faz amizade até com uma PEDRA se deixar... mas é de cada um... eu mesmo não faço amigos AMIIIGOS mesmo há um bom tempo... só cultivo os antigos.

Abração!

Robson 31 de outubro de 2008 10:34  

Ei Rubens
Sabe cara, estava falando isso hoje com uma amiga... To meio canado de contatos virtuais, tenho amizades preciosas, mas chega uma hora que vc "Precisa do olho no olho ou no ombro" e dai dica um vácuo enorme.
Tenho alguns pouquíssimo amigos que confio de fato, na real, e um monte que se abrir a boca pra despejar minha alma nua e crua...derretem e viram pocinha.
Abraço e curti demais seu jeito de escrever, me traduziu bastante.

Robson 31 de outubro de 2008 10:36  

leia-se "cansado" "fica" acho que só...tomara hehehehe

Too-Tsie 31 de outubro de 2008 11:09  

O meio virtual é um "remendo" do que deveria ser o contato real né?

Como eu sei que você adora filmes, eu tô organizando a minha coleção de filmes temáticos pra gente "sijogá", que tal?

Marcelo Serrano 1 de novembro de 2008 19:16  

Tava pensando nisso esses dias.
Reencontrei alguns amigos no orkut, até tentei contato pelo msn, mas acaba ficando meio que aquela coisa de "bons tempos", e não sai disso.
Fica então aquela sensação de "foi bom enquanto durou", e é isso!

E ó, já quero participar da sessão de "filmes temáticos" hein!
:P

Diógenes de Souza 1 de novembro de 2008 22:13  

Fico pensando nas pessoas que passaram e nas de hoje, que também passarão. O quanto tentaremos nos reaproximar, e frustraremos as expectativas de reviver tudo de novo. O futuro, dessa maneira, não me encanta muito.

Marcos Freitas 2 de novembro de 2008 22:49  

Infelizmente isso é uma realidade, uma pena, pessoas muito especiais foram engolidas por compromissos inadiaveis.

Renegado 3 de novembro de 2008 03:37  

Pois a não mto tempoa trás eu pensava a mesma oisa sobre uma outra óptica.
Pensando como esas pessoas q entregavam-se tão rapido a essas novas amizades conseguiam manter essas vidas "paralelas" ou amizades sazonais como vc descreveu.
em suma: essas pessados que se apegam tão rápido: não tem passado ?

AleX nObre ® 3 de novembro de 2008 10:38  

Eu jogava Mortal Kombat II !!! MEDO!!! [rs]
Eu acho essa virtualidade toda de hoje interessante ao mesmo tempo que assustadora. Pior que além de eu ter mais "amigos" virtuais que "reais", eu ainda sou uma pessoa geograficamente indesejável. As pessoas que me interessam e se interessam por mim estão há quilômetros de distância ='(

Priscila Freitas 3 de novembro de 2008 11:47  

Posso discordar?
Eu tenho grandes amigos de infância e nos encontramos e nos falamos semanalmente... tenho grandes amigos de Minas ainda, e que eu sei que a hora que eu precisar estão do meu lado e eu estou do lado deles também. Fiz grande amigos aqui no Rio, na faculdade e nos lugares que eu trabalhei, e sempre que eu preciso eles largam tudo e estão do meu lado, assim como faço isso por eles.

A diferença é que ser amigo é justamente entender que o mundo gira rápido demais, e que às vezes é impossível que alguém pare tudo pra ficar a sua disposição... mas uma amizade de verdade exige dedicação, de ambos os lados... você pode ter certeza, que se vc se dedica, vocês faz grandes amigos. Experiência própria de alguém que vive sozinha e escolheu uma série de amigos para serem minha família.


bjãoooo

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