7 de agosto de 2008

FALTA DE ÉTICA

O Carioca Virtual já comentou, mas também tenho de dar meu pitaco.


Daí que no O Globo Online saiu esta perola:

Nem vamos comentar a total falta de credibilidade dos portais da Globo.com, por que seria chover no molhado. Vide o portal EGO que não me deixa mentir.

Mas, como uma mídia que têm milhares de acessos diário pode ter esta total falta de responsabilidade e ética e deixar que publiquem uma chamada dessas?

A pesquisa você pode ler aqui.

O IBGE e a FGV, uns dos principais institutos de pesquisa do país, quando apontam que um determinado índice teve variação positiva ou negativa, sempre tomam como base uma amostragem fixa do universo pesquisado.

Com isso, acompanham esta amostragem (que pode ser pessoas, produtos, etc) durante um determinado tempo - que podem ser dias, meses ou anos -, observando seu comportamento e mudanças no decorrer do período estudado e como isto pode influenciar no resultado final apresentando.

Enfim, como a própria nota do O Globo diz, não existe uma metodologia e tão pouco uma política que defina realmente este grupo de indivíduos (homens gays). Ou seja, não existe uma base fixa de pessoas para definir com absoluta certeza que uma determinada classe de pessoas tenha maior ou menor prospecção de contrair o HIV.

Fica completamente difícil sustentar a afirmação que “o risco de contrair HIV ainda é alto em gays”. Pois, como a ressalva do mesmo texto, 44% dos 128 países pesquisados não apresentaram dados específicos sobre gays e bissexuais, por motivos que vão além de nossa compreensão.

Para elucidar melhor as idéias, uma explicação bem simples:

Determinado produto – por exemplo o feijão – têm 10 marcas diferentes e os mais variados preços. Que vão, sei lá, de R$ 1,00 a R$ 10,00. Você acompanha durante 1 ano a variação de preço destes 10 produtos. No final você consegue dizer o quanto o preço médio variou mês a mês e quanto será a variação e acumulado final.

Agora digamos, que por algum motivo, 5 marcas deixam de participar da pesquisa, sendo as únicas restantes as de maior valor. O preço médio do acumulado final será maior? SIM. Reflete uma realidade? Claro que NÃO.

É a mesma coisa com os casos de contaminação de HIV. Ainda não se tem o número real de quantos homens são hetéros e quantos são homossexuais. O que se têm é apenas uma estimativa e um senso comum preconceituoso que todo gay é promiscuo. Pensamento esse, muito grave e que precisa ser descartado o quanto antes.

Só que, infelizmente, nossos queridos executivos de mídia não querem nem saber e deixam que notas como essas sejam difundidas de maneira porca e sensacionalista com o simples intuito de atrair “hit’s” para sua página na web.

Estes mesmos senhores engravatados, não colocam suas mãos na consciência para perceber e discernir que nem todos têm a preocupação de ler a nota na íntegra e acabam lendo APENAS o título ou chamada desta. Aí, o que deveria ser um veículo IMPARCIAL e formador de opinião , acaba plantando uma idéia inverídica sobre um tema, que é, em suma, polêmica e pode acarretar em histeria coletiva. ( A mesma coisa que acontece quando noticiam que o preço disso ou daquilo aumentou)

Ainda bem, que existem os blog's, que apesar de sua informalidade, têm mais responsabilidade social e com a informação do que os grandes veículos de comunicação sedentos por faturamento.

5 deixaram seu recado:

Sandro Porto Alegre 7 de agosto de 2008 11:58  

Achei corretíssimo o título do texto na reportagem do Globo Online. Não há distorção ou mentira alguma em relação a evidência científica de que os gays são mais suscetíveis à aids.

Uillow 7 de agosto de 2008 19:01  

Já que vamos nos basear em pesquisas, vamos lá: o grupo em que o aumento de contaminação pelo HIV vem acontecendo é nos heterossexuais. E, em sua maioria, homens e/ou mulheres casados (as). Pq não deram destaque pra isso?

rugoliveira 7 de agosto de 2008 19:30  

Simples:

Não gera polêmica e não gera "hit's" para o portal que ganha por "pageview".

Bob 11 de agosto de 2008 18:49  

comecei a ler seu blog e achei meio deprê, reclamão. mas agora to gostando. legal o modo como abordou o assunto ;-)

Thiago 17 de agosto de 2008 13:02  

Desde o início da epidemia critico a metodologia de obtenção e compilação dos dados referentes às vítimas e à transmissão do HIV.

A classificação usada para discriminar os diferentes modos de transmissão do HIV é viciada e inútil do ponto de vista epidemiológico bem como no que refere à possibilidade de ações preventivas.

Há basicamente três modos de transmissão possíveis: (1) através de contato direto com tecidos e objetos contaminados (transfusão de hemoderivados e transplante de órgãos/ uso comum de agulhas e seringas e instrumentos contaminados como bisturis etc/ acidentes com esse tipo de contato em grupos como profissionais de saúde/ uso compartilhado de "sextoys"); (2) mãe > filho na gestação/parto e (3) relação sexual (oral, anal, vaginal).

As estatísticas e os modos de prevenção deveriam acentuar a probabilidade de transmissão em cada um desses modos e dirigir-se aos diferentes grupos suscetíveis, como acontece, por exemplo, com profissionais de saúde, para o que se desenvolveram protocolos baseados no MODO de transmissão. No caso da trasmissão sexual, deveria ser catalogado principalmente a VIA de trasmissão, o peso percentual de cada uma delas e somente após isso, como informação adicional, em outro tipo de abordagem e enfoque, a orientação sexual das pessoas portadoras de HIV, porque esse é um dado comportamental muito importante, mas pouco esclarecedor do ponto de vista da via de transmissão em si.

Do modo como é feito até hoje, mistura-se na mesma metodologia modo de transmissão + orientação sexual, em que a via como a trasmissão se deu não é esspecificada.

Entre heterossexuais, foi o sexo oral, vaginal ou anal o que mais pesou na progressão do número de casos? E entre homossexuais? É o sexo anal, mesmo? Ou entre homossexuais já foi assim e hoje é o sexo oral feito sem preservativo que alimenta as estatísticas? Mudou o perfil da epidemia? É o mesmo?

Penso que a maioria de nós saiba que as diferentes práticas sexuais têm probabilidade maior ou menor de transmissão. Mas em que grau? Os dados, que privilegiam o registro do desejo ou da orientação sexual não esclarecem. Qual a diferença entre lamber e ser lambido, entre chupar e ser chupado, entre comer e ser comido? É possível quantificar deste modo? Se não, como trabalhar a prevenção de modo efetivo?

O que não pode é alguém, por exemplo, na hora de buscar uma determinada quantidade de café, na soma do volume total não saber o quanto é café em pó, o quanto é café solúvel e o que é café já coado. Não saber se deve levar garrafa térmica, pote ou saco de papel dificulta o transporte. E qualquer planejamento e ação.

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