27 de julho de 2008

Hi, stranger


-Sempre te amei. Odiaria te magoar.
-Então por que me magoa?
-Porque sou egoísta. Acho que serei mais feliz com ela.




Passou na rede Globo, um dos filmes que mais marcaram minha vida. Falo de CLOSER, estrelado por Julia Roberts, Jude Law, Clive Owen e Natalie Portman.

O filme retrata, de maneira eficaz, o que parece ser uma terapia de casais. A todo momento o divã ocupado por esses ricos personagens é compartilhado conosco, mostrando que a verdade acaba sendo muito mais cruel do que poderia ser.

O uso dessa “verdade” não é o reflexo da excelência de caráter e sim um escape. Uma desculpa. Transformando-se em uma arma altamente destrutiva. Principalmente quando utilizada exatamente para ferir quem amamos.

Os perfis apresentados são estereótipos do quão destrutivo podem ser as relações amorosas, do quão destrutivo o amor possessivo corrói o mais verdadeiro dos sentimentos e de que como as próprias pessoas são destrutivas em função da ausência de amor-próprio.

Passamos a reconhecer que a verdade está muito além dos nossos olhos. De que está apenas disponível ao uso de quem melhor interagir com ela. E nos faz acreditar que dizer a verdade não é garantia de felicidade. Que no carrossel da vida experimentamos o ápice do descontentamento e da desilusão. De que no mesmo momento em que podemos declarar o amor também podemos promover o ódio.





Em “Closer”, o sexo é orgulho ferido, mesmo sem ser explícito. Consegue nos convencer como as convenções impõem de maneira incrédula à ostentação do orgulho, em resposta ao próprio amor.

É aquela questão de que as pessoas não se amam verdadeiramente, mas que apenas precisam uma das outras. De que o ser humano é fraco, egoísta e autodestrutivo. Até mesmo quando se permite a amar, quando deveria ser, na verdade, a sua salvação, sua redenção.


O filme me fez (e ainda faz) acreditar que o amor é mera distração. Que o amor é o olhar de um desconhecido. É o olhar para o seu próprio umbigo. Talvez, o amor não sirva quando se revela desconhecido para si próprio, afinal amar trata-se de autoconhecimento.



- Quando eu voltar, por favor, conta a verdade?
- Por quê?
- Porque estou viciado nela.

4 deixaram seu recado:

Klero 27 de julho de 2008 14:57  

O filme realmente é muito bom, mas deixa os românticos de plantão sem rumo! =)

Há um autor que define: amor é algo que você quer dar a alguém que não quer (ou algo semelhante, estou sem a frase aqu!!)

MMA 28 de julho de 2008 09:00  

Este filme é bem a análise de um amor corrosivo, o amor que na verdade é a posse, a conquista. Os casais mostram que não é o amor em si que importa ou basta, mas a posse, o poder, a influência. É de verdade um amor o que eles mostram? Ou é a adaptação, a tentativa de alcançar um amor entre pessoas, que como você descreve, apenas precisam umas das outras?

Serginho Tavares 28 de julho de 2008 23:18  

adoro closer
mas não vi dessa vez na tv

:*

Drika 21 de novembro de 2008 15:54  

Closer é um ótimo filme! E reafirma uma coisa que os psicólogos cansam de dizer e a gente finge que aprende, mas sempre esquece: você só pode amar alguém, depois que aprender a se amar.
Adorei o post...
Abs,
Drika

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