17 de junho de 2008

ARTE & EROTISMO


O erotismo está presente nas manifestações artísticas desde a Antiguidade, uma constante, inesgotável, fonte de inspiração.

O Brasil, por exemplo, nasceu erótico. Desde o descobrimento, o Novo Mundo era descrito com sedução e grande carga erótica, principalmente no que se referia a nudez das índias no Brasil.

Nas artes plásticas, o ato sexual se manifesta historicamente na arte. Renomados artistas, tais como Fragonard, Picasso, Paul Gauguin, Gustave Courbet, Dali, Di Cavalcanti, entre outros, retratam a sexualidade, o corpo humano nu e o ato sexual em si. A mais antiga representação conhecida de um ser humano é a Vênus de Willendorf, uma mulher nua, da época paleolítica, esculpida em calcário, com cerca de onze centímetros de altura e provavelmente com vinte mil anos de idade.

Na arte, o sentido que as coisas têm é aquele que o olhar de cada um lhes empresta, em última instância, o sentido da vida é o sentido que emprestamos a ela. O erotismo não é definido satisfatoriamente em dicionários de várias línguas, dentre elas a portuguesa. A julgar pelas reações individuais, a maioria das pessoas parece saber que os limites do erotismo existem, embora quase ninguém saiba precisar onde eles se situam. A simples menção do termo "erótico" provoca, na melhor das hipóteses, algo parecido com "entusiasmo cuidadoso": o sujeito tem seus ânimos excitados, mas teme os excessos e a "queda no abismo" da pornografia.

Denomino essa linha tênue de "andar no fio da navalha". Poder falar sobre sexualidade sem cair na pornografia, pois falar sobre o "sexo" ou algo relacionado ao "órgão sexual" é sempre complicado. Mas o que vem ser o órgão sexual, se não um órgão como qualquer outro do corpo humano? Estômago, fígado, pulmão, genitália: no final, tudo "é pó e ao pó reverterá".

O conceito de pornografia tem variado no tempo e no espaço, mas sempre subordinado ao corpo humano e sua nudez refletindo o preconceito presente, em maior ou menor grau, em quase toda a história da civilização.É comum ouvir-se, hoje, de maneira lamuriante na maioria das vezes, que este tabu milenar não existiria mais, principalmente nas sociedades urbanas, depois que a ciência e os meios de divulgação se encarregaram de desmitificá-lo. ("O único ato sexual anormal é aquele que você não pode realizar", diz o famoso Kinsey.)

O critério de moralidade, dizem, teria sofrido profundas modificações e pornografia (como sinônimo de obscenidade) não mais se aplicaria ao corpo e ao sexo. O surgimento de "novas pornografias" — a da morte, a da violência a da miséria — comprovaria esse ponto de vista. A liberdade sexual teria sido afinal conquistada.

Na sociedade moderna, a pornografia passou a se diferenciar do erotismo nos aspectos estéticos e éticos, no conteúdo mais explícito da pornografia e mais implícito do erotismo, no reforço pornográfico da relação genital sem envolvimento, sem compromisso e sem afeto, apenas enfatizando o prazer solitário masturbatório, evitando o requinte artístico, a profundidade e o clima de paixão e enamoramento sempre presentes no erotismo.

A arte erótica localiza o resgate do olhar, enquanto, na pornografia, atua a visão, "função fisiológica do olho". A "visão" é definida como o contexto em que o olhar se desenvolve. A visão se move do eu para a coisa, enquanto o olhar é um ato provocado por uma imagem de algo que vem até nós. O olhar é despertado fora de nós, surge quando somos cegados por um foco de luz, que pode vir do espelho, de uma outra pessoa ou de um quadro. Essa luz põe em andamento algo no inconsciente, enquanto o eu fica confuso e ofuscado. Para ela, toda arte é erótica, pois, se não for violação, não é arte.

Mesmo nos períodos de forte repressão, como a chamada Idade Média européia, em que aprendemos ter sido de predomínio da Igreja Católica, houve significativa manifestação do erotismo. Tabus enraizados passam de geração a geração. A melhor maneira de quebrar esses tabus é a informação. Mas qual o limite entre arte e pornografia? Arte é uma forma de expressão cultural da beleza, que inclui o corpo e o ato sexual em si. Já a pornografia, reduz o corpo e o ato sexual a um simples objeto com a única finalidade de masturbação

Rubens Gomes de Oliveira

2 deixaram seu recado:

Klero 17 de junho de 2008 20:42  

Provocaçãozinha: uma corrente que argumenta que pornografia, no caso de alguns filmes, pode ser levado como "documentário" - registro da realidade através dos olhos do diretor. Desconsidera-se seu fim e leva-se em conta sua criação. Não seria arte, então, somente porque o fim a que se destina é diferente de um documentário de Coutinho ou Mooore? =)

Estava empolgado lendo o texto e vc acaba com ele! O assunto rendia mais! =D (sim, eu sei que conteúdo deve ser adaptado ao meio...)

Mogli 18 de junho de 2008 00:20  

Me pergunto se o er�tico est� fadado a virar pornografia em tempos de sexo recreacional.

Voc� conhece um site chamado cam4.com? Ele � uma grande sala de bate-papo com c�mera onde voc� pode mostrar para o mundo inteiro s�a pr�pria pornografia caseira...ao vivo e atendendo a pedidos.

O er�tico e o pornogr�fico sempre estiveram presentes na arte pelo car�ter impactante, para o bem ou mal. E o que vai impactar a sociedade do s�culo XXI?

Gostei do espa�o...visita o meu.

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