29 de junho de 2008

DÁ-ME A TUA MÃO:


Dá-me a tua mão:
Vou agora te contar
como entrei no inexpressivo
que sempre foi a minha busca cega e secreta.
De como entrei
naquilo que existe entre o número um e o número dois,
de como vi a linha de mistério e fogo,
e que é linha sub-reptícia.

Entre duas notas de música existe uma nota,
entre dois fatos existe um fato,
entre dois grãos de areia por mais juntos que estejam
Existe um intervalo de espaço,
existe um sentir que é entre o sentir
- nos interstícios da matéria primordial
está a linha de mistério e fogo
que é a respiração do mundo,
e a respiração contínua do mundo
é aquilo que ouvimos
e chamamos de silêncio.


Clarice Lispector

3 deixaram seu recado:

Monsieur M. 30 de junho de 2008 00:30  

Oi!!

Retribuindo a visita...

Legal aqui... E adorei esse poema da Clarice Lispector... Apesar de conhecer pouco da obra dela, acho muito boa.

Abs!!

Klero 30 de junho de 2008 22:51  

Clarice é ótima, mas prefiro prosa dela... sempre penso que ela, simone de beauvoir, marguerite duras e algumas outras dominaram tão bem a prosa que deveriam viver dela... =)

MMA 2 de julho de 2008 11:13  

Esta solidão interior que tanto te caça, assola, afasta e transforma. Por mais que eu esteja próximo, que minha atenção seja a sua, percebo que o que vem de dentro é denso e não dissolve, se mantem, te detem e continua.

Algo que possa ser feito para amenizar o pesar?

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