22 de junho de 2008

A ANGÚSTIA

Chamamos de angústia as sensações psicológicas, caracterizadas por “abafamento", insegurança, falta de humor, ressentimento, dor e ferida na alma. É uma emoção que precede algo, onde também se pode chegar à angústia através de lembranças traumáticas que dilaceraram ou fragmentaram o ego. Ela – a angústia - exerce função crucial na simbolização de perigos reais (situação, circunstância) e imaginários (conseqüências temidas).

Nossa angústia toma a forma de uma exaustão pós-moderna. O vazio fatal do consumismo ironizado é marcado pela perda de energia, dificuldade de concentração, sentimentos de apatia, isolamento social; exatamente aqueles citados na literatura psicológica sobre a lamentação. Um sentimento difundido de perda e mal-estar nos envolve, uma tristeza cultural que somente pode ser comparada ao indivíduo que sofre uma perda pessoal.

Vivemos em uma sociedade de extremos, pois na idade moderna o mal-estar nascia de um excesso de ordem que levava inevitavelmente a uma limitação da liberdade, já em nossos dias o medo dominante é o de não alcançar a felicidade, e a procura humana de prazeres sempre mais numerosos e sempre mais saciados que acaba por tornar a vida mais ansiosa e complicada, infestada muitas vezes de angústias persistentes.

O indivíduo tem diante de si inúmeras opções viáveis, sendo inteiramente livre para decidir; e sabe que sua liberdade de escolha é infinita e, ao dar-se conta de suas possibilidades e do peso da responsabilidade de suas escolhas, o sentimento de medo e angústia surge, pois implica sempre um ponto de interrogação quanto a seu futuro.

Ao captar através da reflexão e interiorização o peso e o significado de sua liberdade de escolha, ocorre a “vertigem da liberdade”, que nada mais é que a consciência da liberdade para efetivar o caminho a ser trilhado. Assim é que todo o peso da liberdade de escolha passa a ser um ponto de interrogação, na medida em que ocasiona o surgimento do sentimento de angústia, porém o sentimento de angústia é de fundamental importância no processo de construção da subjetividade.

Esta empreitada, este processo de autoconscientização acaba por gerar angústia na medida em que existe uma pulsão para o externo, para o massificado, o qual é, em geral, muito mais seguro e previsível do que ser um “si mesmo” autêntico e sustentar suas escolhas, sem ter a certeza plena para onde este processo o conduzirá.

É um sentimento indefinível, mas esmagador. A larga expansão da angústia na nossa época é devida, em grande parte, as mutações rápidas do nosso meio, ao desenvolvimento das técnicas, das formas de organização, que na maioria se apresentam muito confusas.

Também é um sentimento pulsional que nos faz recear, encarar as nossas pulsões que vão retomando o seu domínio e vão determinando uma perda de amor, chegando à hostilidade entre os que nos rodeiam. Sente-se nesta situação uma angústia de solidão e ausência de proteção.

Procuramos evitar perigos quer sejam interior ou exterior a nós, mas não podemos muitas vezes fugir deles, como não podemos fugir de nós mesmos. Acabamos muitas vezes por recalcar a angústia e assim poder perder o controle sobre o perigo que ela representa.

Talvez, até seja possível reduzir consideravelmente as angústias não se deixando arrastar pelos seus efeitos e aprendendo a ter consciência de si, das motivações que lhe causam o mal-estar, o que lhe assegurará certa confiança ante os problemas da vida.

Rubens Gomes de Oliveira

2 deixaram seu recado:

MMA 22 de junho de 2008 16:48  

Pare.
Feche os olhos.
Respire fundo.
Continue.

AV.

Klero 23 de junho de 2008 23:20  

é. sentimento difícil de lidar, que vem com facilidade e dá trabalho para ir embora...

aliás, estamos na geração que é angustiada por princípio, quase.

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