15 de dezembro de 2008

BLOG NOVO



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9 de dezembro de 2008

SONHO MEU




* Eu vi no Bobagento


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25 de novembro de 2008

ENTREVISTA: CLARICE LISPECTOR

Programa 30 Anos Incriveis da tv cultura, apresentação de Gastão Moreira.

Última entrevista com Clarice Lispector, dada ao jornalista Junio Lerner para o programa Panorama em 1977.


Entrevista - Parte 1



Entrevista - Parte 2



Entrevista - Parte 3



Entrevista - Parte 4




Entrevista - Parte 5




*dica da querida Cecilec

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SIMPLESMENTE FERNANDO


* Placa fotografada do Museu da Língua Portuguesa e que vi no blog do Sérgio Ripardo.

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24 de novembro de 2008

A VOLTA DA BONITA

Por Gilberto Scofield Jr

Hoje de manhã, domingão de inverno em Pequim, temperatura próxima dos sete graus e aquele céu cinza asiático do lado de fora. Acordei na função mudança, pensando no transporte de metade do que eu tenho aqui para o Rio, a maioria da trecaiada para Washington, empacota isso, despacha aquilo, bate matéria, manda e-mail de despedida, confere as encomendas dos amigos e da família, fecha contratos. Um sufoco.

Daí lá pelo meio-dia aqui (quando dá duas da madrugada de sábado no Rio), dou uma olhada nos jornais brasileiros e, sinceramente, se sofresse de depressão, pedia demissão da profissão de jornalista. É notícia ruim demais. Com um agravante, provavelmente potencializado pelo fato de morar fora do país já há quatro anos e meio: não vejo melhoras no Brasil. E estou indo para lá!!!!

Pequim cavalga a ritmo alucinante, quilômetros de novas linhas de metrô a cada ano, milhares de novas ruas e avenidas tentando (em parte em vão) melhorar o trânsito da cidade, bares e restaurantes novos pipocando às dezenas a cada fim de semana, negócios novos aqui e ali. Rola corrupção? Claro. Tem desigualdade? Sem dúvida.

Mas a sensação de que “para frente é que se anda” é absurda. Enquanto isso, ao Sul do Equador, a política mafiosa e corrupta continua a dar as cartas. A elite acomodada e insensível continua a frequentar seus redutos sem culpa. A miséria, a violência e a decadência continuam a dar o tom do dia-a-dia da maioria dos brasileiros. Caraca, isso muda quando? E toda a América Latina parece padecer da mesma anorexia política populista ou estou maluco?

Parece discurso de bonita fora do Brasil, mas e se for isso mesmo? E se a distância, o famoso distanciamento crítico, realmente ajuda a enxergar melhor o atoleiro de onde eu vim e para onde vou? Chego ao Rio em dezembro depois de anos fora da cidade onde nasci e cresci, um lugar todo arrepios, todo lembranças, todo histórias. Para os expatriados, curiosamente, todas as cidades brasileiras ganham este tom, aliás. Todas as cidades parecem ser estranhamente suas, atemporalmente suas as Urcas tanto quanto as Vilas Marianas, as Savassis e as Pitubas. São todas minhas casas, minhas lembraças, meus amigos.

E o que me resta, depois da leitura dos jornais e dos sites, é uma melancolia estranha. Os blogs contam com detalhes a noite que começou no Felice/Novo Galeria (Ritz/Spot/Mestiço? Giz/Estação 2000? Marquês/Off Club?), emendou na The Week local, esticou no after isso, na pool party aquilo. Luxo, poder e riqueza. Mas vem cá: e dá para ir para estes lugares de carro novo? O guardador continua extorquindo a vaga no estacionamento?

Alguém sai de relógio de pulso de casa? É peito e cueca de fora ou dá para pensar num modelo mais fino? Tem que estar colocón para aproveitar ou dá para ser feliz de cara limpa? Dá para ser gordo sem neura ou tem que ser Barbie para ser feliz? Gente com mais de 35 é cacura de quinta ou envelhecer pode ser um trunfo? Saber a letra de um hit de Beyoncé é sinal de hype ou de jequice? Cantar de olho fechado a música na pista é phyno ou é um lixo? Atorón é uma paraíba pagando mico ou é hype?


Tenho medo de voltar ao Brasil e perceber que minha memórias e minha experiências num país estranho viraram minhas fraquezas e meus medos. Que minhas espectativas ficaram melhores só depois de um Olcadil ou de um uísque. E que não há DJ descolado em The Week nenhuma da vida capaz de trazer de volta minha felicidade num jantar regado a saquê entre amigos no Azumi.

Rodrigo me disse: “ah, pára de ansiedade”. E eu respondo: “Ok, ok, mas dá para ir de relógio?”.


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19 de novembro de 2008

SHOW DO GONGO 2008

Na última segunda-feira (17/11) rolou no auditório do Memorial da América Latina o adorado (e sempre aguardado) Show do Gongo edição 2008, do 16º Festival Mix Brasil, com a já tradicional apresentação da musa da comédia brasileira, Marisa Orth, onde (como sempre) conduziu com despudorada sinceridade uma das sessões mais concorridas do festival.

Por isso, o evento que em todos os demais anos foi realizado no CineSesc, ganhou um upgrade com a sua mudança de espaço, no intuito de crescer a avantajar ainda mais o festival.

O esquema continuou o mesmo: qualquer louco masoquista poderia inscrever seu curta de até 5 minutos até o dia da sessão. Depois sua “obra-prima” foi submetida ao julgo de um público interativo e intransigente.

Os sobreviventes ao gongo eram julgados por um trio de jurados, composto por: Christian Pior, Ida Feldman e Michely Summer (essa, aliás, em muitos momentos roubou a cena da apresentadora) onde tinham nas mãos a decisão de escolher o grande vencedor do Coelho de Prata, o cobiçado prêmio máximo do Mix Brasil.

Entre piadas e risos, os filmes eram exibidos e um recorde foi alcançado, pois segundo o diretor do Festival Mix Brasil, André Fischer, dos vinte concorrentes, cinco foram aprovados pela platéia e apenas um teve uma ‘gongada póstuma.

O primeiro filme a passar pelo público foi 'Bege' de Rafael Saparelli. O vídeo era também uma sátira a um comercial. A filmagem mostrava um menino que chegava em casa e dizia à mãe: “mãe quero fazer cocô”. Ao ouvir da mãe que ele fosse o filho respondia: "Só se for não casa do Pedrão". Com nota 5 de Ida, 4 de Christian e 3 de Michelly ficou em segundo lugar.

Outro que passou sem ser ‘gongado’ foi 'Feliz Anal' de Kiko César, que mostrava dois 'papais-noéis' simulando sexo com a música “O Natal existe”.

Além do primeiro lugar do concurso, André Machado galgou também um quarto lugar com o vídeo 'Mágico de Uóz', que fazia piada com o uso de drogas em festas gays e satirizava a vinda de Madonna ao Brasil, com imagens do filme Mágico de Óz. Em 2007, com a produção 'Telebambis', André já tinha vencido o 'Show do Gongo' em São Paulo.

Segue abaixo os vídeos dos dois primeiros colocados (os outros ainda não estão disponíveis) e logo mais publico a lista dos demais competidores da noite:

"DESAFIO PACSIVIA" - direção: André Machado



"BEGE" - direção: Rafael Saparelli



P.S: Ainda estou no aguardo da lista dos participantes, mas caso você lembre de quem participou ou sabe de algum outro vídeo que já está disponivel na internet, deixa nos comentários para apreciação da galera!

;-)



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18 de novembro de 2008

ALGUMAS RAZÕES PARA AMAR SÃO PAULO

Daí que está rolando o 16º FESTIVAL DE CINEMA E VÍDEO DA DIVERSIDADE SEXUAL e estou cobrindo o mesmo para, no fim, trazer várias informações sobre a mostra de cinema e do show do gongo.

Quando estou preparando tudo (ou quase tudo) para o próximo post, fiquem com essa compilação
publicada pela Revista Época São Paulo.

Inté!

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50 razões para amar São Paulo em 2008

1ª Porque é a melhor noite do planeta(Sorry, Ibiza)

A ilha de Ibiza, na Espanha, é famosa pelos clubes noturnos, onde tocam os melhores DJs e as festas não têm hora para acabar. Mas essas maravilhas só funcionam de junho a setembro. Em São Paulo, a vida noturna acontece todos os dias, o ano inteiro. Melhor: tem de tudo para todos. São mais de 200 baladas, para todas as tribos: pagodeiros, punks, cybermanos e até animadas senhoras da terceira idade. Quer dançar rock na segunda? Tem. Curtir um sambão, na terça? Fácil. “A noite paulistana é um mosaico de nichos culturais”, diz Alexandre Youssef, dono do Studio SP e coordenador do movimento Noite Viva, que articula 30 casas noturnas da capital. Quem ganha são os freqüentadores, em número sempre crescente. “Todo lugar a que você vá está sempre cheio”, diz Gabriela Proença, 19 anos, que muitas vezes emenda o cursinho com o pagode. “Nem Nova York tem vida noturna nos sete dias da semana.E aqui é fácil achar sua turma, sua tribo “, diz o ator André Engracia, 31, que viveu dois anos na Big Apple. “São Paulo é 24/7”.

2ª Porque é a melhor gastronomia do mundo (Sentadinha, Paris)

“São Paulo é a maior capital gastronômica do Brasil” é um dos clichês mais comuns na boca dos paulistanos. O orgulho tem sua razão de ser. A gastronomia é um dos pontos mais fortes da cidade, tanto na oferta quanto na qualidade. Ou seja, come-se de tudo, e bem, na capital. São cerca de 12.500 restaurantes, com 42 tipos de cozinhas. A começar pela excelente culinária italiana made in San Paolo, resultado da presença maciça de imigrantes vindos da Itália - há mais de 400 cantinas espalhadas por aqui. São Paulo é também a cidade com maior número de restaurantes japoneses (800) fora do Japão. Aqui está o único brasileiro que consta da lista dos 50 melhores restaurantes do mundo, o D.O.M. Cozinha tailandesa, francesa, alemã, indiana, árabe e americana: o mundo está em São Paulo. E o Brasil, com seus pratos mineiros, paraeneses, nordestinos e gaúchos, também.

3ª Porque adoramos ler

Nos parques, nos ônibus, no metrô, em mesas de restaurantes e na fila do banco, há sempre um paulistano com um livro no colo. O mercado não pode reclamar. Prova disso é o sucesso da Fnac por aqui. Com 8.000 m², a loja de Pinheiros é a maior do país e foi pioneira ao trazer para o Brasil o conceito de não ser só uma livraria, mas sim um distribuidor de produtos culturais. CDs e DVDs também têm seu espaço na Livraria Cultura. A matriz, na Av. Paulista, ocupa 4.300 m² em três pisos e vende cerca de 3 milhões de títulos por mês. “O paulistano busca qualidade tanto nos livros para entretenimento quanto no material de estudo”, diz Pedro Herz, diretor-presidente da Cultura. Os sebos também estão em alta por aqui, com seus títulos fora de catálogo e bem conservados.

4ª Porque não existem padarias como as nossas

Em São Paulo, todo mundo tem a “sua” padaria. E, ao contrário da grama do vizinho, a “sua” padaria é sempre melhor do que a “dele”, seja para tomar café, comprar um pãozinho delicioso ou levar as crianças para um sorvete. Se ainda não tem, aposte: em pouco tempo, a “sua” padaria vai oferecer um belíssimo café-da-manhã, além de almoço e sopinha no jantar. Quem afirma é Antero José Pereira, presidente do Sindicato da Indústria de Panificação. “A cidade conta com quatro mil padarias. Dessas, 400 são completas. Não demora, a maioria vai servir comida. Padaria, em São Paulo, é o lugar da família, é ponto de encontro”, diz ele. Antero é português e vem de uma família de padeiros. Seus dois filhos agora assumiram a padaria dos pais, no Brooklin. Por que tantos portugueses nesse ramo? “Um foi trazendo o outro”, afirma. “Agora, estamos levando o nosso know-how para Portugal”. São as padarias de São Paulo tipo exportação.


5ª Porque temos a maior parada gay

A primeira parada aconteceu em Nova York, em 1969, quando homossexuais atravessaram a cidade em protesto contra a discriminação. A novidade chegou a São Paulo 27 anos depois. Em 1996, duas mil pessoas percorreram a Paulista. No ano passado, foram 3,5 milhões, confirmando o quarto título consecutivo de maior parada gay do mundo (São Francisco, nos EUA, fica em segundo, com 1,5 milhão). O evento não esportivo que mais atrai turistas para cá tem potencial para reunir 4 milhões de pessoas no próximo dia 25. Sob o arco-íris mais animado do planeta, celebridades desfilam ao lado de travestis, pais levam os filhos nos ombros, garotas trocam beijos animados e rapazes competem em rebolado com os go-go boys.


6ª Porque nossos táxis são os melhores do país

Não é exagero. Os carros são novos, a maioria dos motoristas é gentil e não “dá voltinha” com quem não sabe o caminho (no trânsito, o taxista também seria prejudicado). Há motoristas que oferecem bebidas e revistas importadas e até cabo para conectar o iPod do cliente. “Trocamos os carros a cada dois anos. Mesmo os que não são de frota são renovados porque a isenção de impostos facilitou”, diz Ricardo Auriemma, presidente da Associação das Empresas de Táxi de Frota do município. Hoje, são 32.766 táxis.


7ª Porque corremos e não só no trabalho

Eles driblam o trânsito e a agenda lotada, ignoram o monóxido de carbono das avenidas ou fogem até o parque mais próximo. Em busca de boa forma e bem-estar, os corredores paulistanos proliferaram de forma surpreendente e transformaram a corrida em movimento organizado. Em 1992, as primeiras provas promovidas pela Corpore – maior associação de corredores do Brasil – tinham cerca de 600 atletas. Já em 2007, reuniam 126.697 em seus 26 eventos.

A tribo, majoritariamente masculina e com idade entre 30 a 34 anos (dados da Corpore), se concentra no Parque do Ibirapuera durante a semana e na Cidade Universitária aos sábados. Nos domingos, é o Minhocão que vira pista. Também não causam espanto os dedicados corredores se exercitando no canteiro da Avenida Sumaré. Até nas Marginais é possível encontrá-los. Paulistano se acostuma com o ritmo acelerado do cotidiano e corre. Ou corre para se acostumar a ele.


8ª Porque somos multiculturais

São Paulo recebeu 70 povos diferentes ao longo de 454 anos. Não é pouco. Especialmente quando sabemos que todos eles vivem em harmonia e, salvo exceções, livres de preconceitos. Aqui, cores e credos se misturam. Há escolas laicas que recebem crianças de todas as religiões e tomam cuidado para não comemorar a Páscoa cristã, por exemplo, em detrimento do Hoshashana judaico e do Ramadã islâmico. Essa diversidade é buscada pelos pais que não desejam educar os filhos em uma única fé. A bióloga muçulmana Magda Mednat Pechilye, a psicóloga judia Vivian Evelyn Huszar e a administradora católica Denise Barone Spachi vêem com satisfação os filhos Mustafá, Max e Nathalia, todos com 10 anos, estudando na mesma classe. “Pessoas preconceituosas são burras. Não entendem que dá para ser amigo de quem é diferente da gente”, diz o esperto Max.

A possibilidade de exercer (e conviver com) as diferenças não é tão comum quanto deveria ser em grande parte das cidades. Aqui isso acontece. “A cidade sempre ofereceu oportunidades de trabalho para todos. Recebeu correntes migratórias com tradições diversas e possibilitou que elas fossem preservadas”, diz José Guilherme Magnani, coordenador da área de Antropologia Urbana da USP.


9ª Porque temos a Aspicuelta

Ela não é grande, nem larga e nem especialmente bonita. O nome é engraçado e vem de um padre espanhol do século 16. Mas nela dá para marcar viagens para a Rússia, comprar roupas de grife, tomar chope, comprar móveis antigos, provar culinária pernambucana, deixar as crianças brincando, tomar chope, cortar o cabelo, fazer uma boa massagem, comer pizza de metro. E, claro, tomar chope: não dá para escapar ileso da encruzilhada mais bombada da cidade – São Bento, Posto 6, José Menino e Cervejaria Patriarca. Não tem galinha preta ou vela, mas em compensação tem costelinha, sushi, frutos do mar... E, claro, muito chope.


10ª Porque nos apaixonamos (e fazemos amigos) no trânsito

Se a gente passa tantas horas no engarrafamento, é natural que role uma paquera. Algumas resultam em namoro e até casamento. Foi assim com o designer Douglas Feitosa, 26 anos, e com a produtora Maíra Torrecillas, 22. Eles tomavam o mesmo ônibus, sentavam juntos, mas não se falavam. Um dia, Douglas a encontrou na fila do cinema, se apresentou e comprou ingresso para o filme. Estão juntos há seis anos. O estudante Fernando Molina Lopes, 21, e a administradora Vivian Nunes Palos, 26, se conheceram no meio do caos. Ele estava parado num retorno da Faria Lima fazia um bom tempo, até que Vivian deu passagem. Fernando não se contentou em agradecer. “Escrevi um bilhete perguntando se poderia conhecê-la, coloquei o endereço do meu messenger e pedi a um vendedor de biju que o entregasse a ela”, diz. “Não costumo adicionar desconhecidos, mas foi a primeira coisa que fiz ao chegar em casa”, conta ela. Os dois namoram há oito meses.

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9 de novembro de 2008

16º FESTIVAL DE CINEMA E VÍDEO DA DIVERSIDADE SEXUAL


***a Associação Cultural Mix Brasil apresenta a 16ª edição do Mix Brasil - Festival de Cinema e Vídeo da Diversidade Sexual, o mais audacioso festival de cinema do país.

Em sua 16° edição, o festival leva ao público mais de 200 obras, entre longas e curtas-metragens, filmes de ficção e documentários, que abordam os mais diversos temas relacionados à diversidade sexual, dos mais variados gêneros (drama, terror, pornô, comédia e etc).

Além da exibição de filmes, o evento apresenta uma série de atividades paralelas e especiais, que vão da realização de oficina de roteiro (Fucking Different São Paulo), shows musicais (Mix Music), debates ao tradicional Show do Gongo apresentado pela atriz Marisa Orth.

O Mix Brasil acontece em São Paulo (de 12 a 23/11), e em Belo Horizonte (de 09 a 14/12). Criado em 1993, o Mix Brasil é o maior fórum de cinema GLBT da América Latina e uma das mais importantes vitrines para produções alternativas no Brasil.

Esse ano, o festival bateu seu recorde na seleção de filmes brasileiros. Ao todo, são 51 produções de todo o território nacional. Os filmes apresentam um elenco de peso e conhecido do grande público como Caco Ciocler, Vera Zimmerman, Paola Oliveira, Ney Matogrosso, entre outros

Esse recorde na seleção nacional deveu-se ao aumento, não somente da quantidade de produções voltadas ao tema, mas também pelo substancial salto na qualidade técnica e de conteúdo dessas obras. Um mercado que cresce a cada ano, graças ao crescente número de festivais de cinema que tem a diversidade sexual como tema, e à abertura que importantes festivais no mundo inteiro, como Berlim, Sundance, Toronto, entre outros, têm dado a filmes do gênero.

Na Mostra Competitiva Brasil participam 20 curtas-metragens. Esses filmes serão avaliados por um júri internacional composto por programadores de festivais no Uruguai, Espanha, Israel, Brasil e Alemanha.

O Panorama Internacional, seção do evento dedicada à exibição de novos longas-metragens que estão circulando em festivais internacionais de cinema e no circuito GLBT, apresenta, nessa edição, uma significativa seleção de documentários que tem como tema acontecimentos e personagens que contribuíram para a construção de um histórico da cultura gay.

Entre os destaques estão “Combinação Selvagem: um Retrato de Arthur Russell”, dirigido por Matt Wolf sobre Arthur Russell, músico extremamente versátil cuja obra póstuma vem sendo resgatada nos últimos anos. Embrionário da disco music, Russell fez parte da primeira geração de músicos que se apresentou no lendário centro cultural The Kitchen, reduto de experimentações, onde também aconteceram as primeiras exibições de videoarte em Nova York.

“O Universo de Keith Haring”, de Christina Clausen, acerca do lendário artista nova-iorquino, que ganha notoriedade, no final dos anos 70, ao grafitar a giz as estações de metrô de Nova York. Suas primeiras exposições acontecem a partir de 1980, no Club 57, que se torna o ponto de encontro da elite vanguardista da época. Ainda no âmbito documental será exibido “Pelada com Véu”, de David Assmann e Ayat Najaf.

Filme vencedor do Teddy Award (prêmio do júri e público) do Festival de Berlim, e exibido no prestigiado festival de documentário canadense Hot Docs. O filme acompanha um time de futebol feminino amador de Berlim que decide disputar a primeira partida de futebol feminino no Irã. Mostrando a trajetória do astro pornô Jack Wrangler apresentamos “Wrangler: Anatomia de um Ícone”, de Jeffrey Schwarz. E o caso conhecido como Cairo 52, escândalo de repercussão internacional, onde 52 gays egípcios foram presos na Queen Boat (boate flutuante, que ficava no rio Nilo), é tema de um belo e emocionante filme “Affair no Cairo” dirigido por Maher Sabry. Entre as ficções o festival destaca “Nas Ondas de Newcastle”, de Dan Castle, que retrata a descoberta da sexualidade na adolescência e “Segredos de Halloween”,de Gabriel Fleming, sobre uma noite de halloween na vida de jovens em busca de novas experiências.

Ainda no Panorama Internacional, e dentro do espírito que norteia os programas especiais do evento em 2008, o festival apresenta “Otto; ou Viva a Gente Morta”, de Bruce LaBruce. O diretor canadense, que já esteve em São Paulo para uma retrospectiva de seu trabalho promovida pelo Festival Mix Brasil, volta à cidade para apresentar o seu filme mais recente, cuja première mundial deu-se nos festivais de Sundance e Berlim.

Nesta edição, o Mix Brasil apresenta uma programação especial no MAM (Museu de Arte Moderna) coincidentemente num ano de Bienal, e retorna à sua primeira casa, o MIS (Museu da Imagem e do Som). Essa programação, que contou com a colaboração da curadora Kyle Stephan, surgiu da vontade de destacar, no festival, filmes e realizadores que estivessem propondo imagens transgressoras, narrativas inventivas, estéticas ousadas, como uma alternativa à "institucionalização" da cultura gay.

A base da programação exibida no MAM é composta por filmes e vídeos contemporâneos e históricos. Chama-se "Rewind, Fast-Forward, Pausa para um Cigarro". Além de longas-metragens, serão exibidos programas de curtas organizados por curadores internacionais: Stuart Comer, da Tate Modern (The Young and Evil), Susanne Winterling (The Fantasy of Failed Utopias and a Girl´s Daydream...), Kyle Stephan (Promiscuous Pop) e uma seleção de curtas de Isabell Spengler, que virá ao Brasil a convite do Instituto Goethe São Paulo.

Entre os longas destacam-se alguns documentários como o filme feito pela polícia de Mansfield, Ohio, em 1962 em um banheiro público e que foi usado numa investigação que resultou na prisão ou internamente em instituições psiquiátricas de vários homens. Esse material foi encontrado pelo colecionador e cineasta William E. Jones que vem apresentando publicamente o filme sob o título de “Tearoom”. Há ainda “I-Be Area”, de Ryan Trecartin, artista multimídia que foi o mais jovem integrante da Bienal do Whitney Museum em 2006. Finalmente, será exibido no MAM um especial Dora Longo Bahia, artista plástica cujo trabalho estará em evidência na Bienal de São Paulo e no próprio MAM.

O Especial DLB vai apresentar filmes em que a artista participa nas mais diversas funções, muitas vezes sob pseudônimo. Uma boa parte dos curtas foi exibida nas primeiras edições do festival. Por isso, ele faz parte do especial Uma Noite no Museu, uma celebração a filmes trash, provenientes de subculturas, realizados dentro do espírito "faça você mesmo" e que estão, de diferentes formas, conectados com a história do Mix e a natureza underground de sua origem (Mix New York).

Também fazem parte dessa programação, “XX”, de Todd Verow, “Saila”, de Julia Ostertag, “Squeezebox”, de Zach Shaffer e Steven Saporito, entre outros. Esse programa será exibido no MIS, espaço onde nasceu o festival Mix Brasil, em 1993.

Este ano, a seção Mundo Mix – que nessa edição vem com o subtítulo Israel - apresenta, em parceria com o Centro de Cultura Judaica, dez longas e quatro curtas israelenses. O filme de abertura do evento é “Antártica”, de Yair Hochner, que vem ao Brasil a convite da Embaixada de Israel. Hochner, que também é diretor do Festival Internacional de Cinema GLBT de Tel-Aviv, apresentará também a produção Fucking Different Tel-Aviv, co-produzido em parceria com o cineasta alemão Kristian Petersen. Também é exibido “Japan, Japan”, do Lior Shamriz. Um filme cheio de frescor que teve sua estréia no 60° Festival de Locarno.

O 16° Mix Brasil, em sessões exclusivas, presta homenagem ao cineasta e artista inglês Isaac Julien exibindo o seu mais recente filme “Derek”. Documentário sobre Derek Jarman, importante cineasta e cenógrafo inglês. Oito anos após a morte do diretor, a atriz Tilda Swinton (ganhadora do Oscar pelo filme Conduta de Risco) escreve e publica uma carta fazendo uma reflexão sobre o estado das artes. O longa desenvolve-se a partir da leitura dessa carta, narrado pela própria atriz.

A seção Retrato Falado: Transgêneros Mostram Outra Face traz documentários sobre transexuais e travestis com o intuito de retirar o estigma de marginalidade desse segmento. Três dos filmes dessa mostra foram dirigidos por transgêneros. São eles She´s a Boy I Knew, de Gwen Haworth e Mulher-Vudu & Duas Cubas, Carolina Valencia.

A 16ª edição do Mix Brasil apresenta os programas de curtas-metragens Trash-o-rama, Sexy Boys, os clássicos Mix Jovem e Mapa das Minas. E essa edição conta com a criação de outros programas temáticos. O destaque fica para a seção Sangue Latino, que apresenta filmes como “Bramadero”, do mexicano Julián Hernández. Serão exibidos filmes da Costa Rica, Uruguai, Colômbia, México, Argentina e Brasil.

O festival ainda apresenta projeções ao ar livre de filmes que serão feitos a partir de roteiros desenvolvidos na oficina do projeto Fucking Different São Paulo, perfomances em diferentes pontos do circuito do festival com presença confirmada de Thelma Bonavita & Cristian Duarte e de Isabell Spengler.

Show do Gongo

Não há Mix Brasil sem Show do Gongo. E não há Show do Gongo sem Marisa Orth. A idolatrada musa da comédia brasileira conduz com despudorada sinceridade uma das sessões mais concorridas do festival. Tão concorridas, lotadas sempre com tanta antecedência, que este ano essa sempre inesquecível sessão ganha um upgrade e acontece no teatro do Memorial da América Latina. O CineSESC ficará para sempre no coração dos fãs histéricos do Show do Gongo, mas é tempo de crescer e avantajar. Haverá lugar para mais gritos ensandecidos e destruições sumárias. O esquema continua o mesmo: qualquer louco masoquista pode inscrever seu curta de até 5 minutos até o próprio dia da sessão. Depois sua obra-prima será submetida ao julgo de uma turba interativa e intransigente. Os sobreviventes ao gongo final de Marisa, casa haja algum, serão então julgados por um trio de jurados abalizados e escolhidos a dedo que selecionarão o grande vencedor do Coelho de Prata, o cobiçado prêmio máximo do Mix Brasil. O Gongo está programado para segunda-feira, dia 17/11, às 21h, no Memorial da América Latina.

Mix Music

O braço musical do Mix Brasil fica por conta do Festival Mix Music. Único festival musical especialmente voltado ao público GLBT. Neste ano ele começa suas atividades com uma grande festa na Choperia do SESC Pompéia (sexta-feira, dia 14.11, às 21h), que traz vários cantores para apresentar sucessos imortalizados da MPB em diferentes épocas. “Mix Music nas Paradas do Sucesso” apresenta as cantoras Rita Ribeiro e Maria Alcina, a paraguaia Perla Márvio (vocalista da banda Cabaret) e Tatá Aeroplano (vocalista do Cérebro Eletrônico), todos acompanhados por uma big band de músicos da cena independente nacional: Astronauta Pingüim, nos teclados e direção musical, Alexandre Kanashiro (The Gasolines) na guitarra, Geórgia Branco (As Mercenárias e Wander Wildner) no baixo e Clayton Martin (Cidadão Instigado) na bateria.

Mix Music Centrão, no sábado, dia 15.11, a partir das 13h, com o apoio da Prefeitura Municipal de São Paulo e da Secretaria Municipal de Cultura, acontece mais uma edição ao ar livre do Mix Music no Vale do Anhangabaú – diversão garantida com shows e apresentações de DJs e drags.

E para finalizar as atrações musicais, o Mix Music segue para o Centro Cultural da Juventude, no domingo, dia 16.11, a partir das 15h30. O encontro musical começa com um bate-papo com a roqueira Vange Leonel, que desenvolverá o tema “Feminismo, Rock e Lésbicas”. Vange afirma e questiona: “Na década de 1990, várias bandas de rock formadas por garotas passaram a usar a música como veículo de difusão para idéias feministas”. Logo depois desta conversa, acontecem quatro shows do mais puro rock de meninas, todos intercalados por intervenções da DJ Lady A.. Na ordem, entram as bandas Comma, Hats, Biggs e Dominatrix, que contará também com presença de Vange.

O Festival Mix Brasil de Cinema e Vídeo da Diversidade Sexual é uma realização da Associação Cultural Mix Brasil, que tem direção artística da jornalista Suzy Capó, direção executiva do produtor João Federici e direção de desenvolvimento do jornalista André Fischer.

Serviço:

16° Festival Mix Brasil de Cinema e Vídeo da Diversidade Sexual

São Paulo, de 12 a 23 de novembro

Belo Horizonte, de 9 a 14 de dezembro

Locais:

Espaço Unibanco de Cinema (Salas 1 e 4)
Rua Augusta, 1475 – Consolação - (11) 3288-6780

2° a 5° feira – R$ 14,00 (inteira) R$ 7,00 (meia)

6° a domingo e feriados R$18,00 (inteira) R$ 9,00 (meia)

Cinesesc
Rua Augusta, 2.075 - Cerqueira César
(11) 3082-0213

2° a 5° feira – R$ 14,00 (inteira) R$ 7,00 (meia) R$ 3,50 (funcionário do comércio)

6° a domingo e feriados R$18,00 (inteira) R$ 9,00 (meia) R$ 4,50 (funcionário do comércio)

Cine Olido
Av. São João, 473 –Centro - (11) 3331-8399

R$ 1,50

Museu de Imagem e Som
Av Europa 158 – Jardim Europa - (11) 2117.4777

Entrada franca

Museu de Arte Moderna
Parque do Ibirapuera
Av Pedro Álvares Cabral s/n°
Portão 3 (11) 5085.1300

Entrada franca

Centro da Cultura Judaica
Rua Oscar Freire 2500 - Sumaré - (11) 3065.4333

Entrada franca

Centro Cultural da Juventude
Av. Dep. Emílio Carlos, 3641 - Vila Nova Cachoeirinha
Tel: 11 3984 2466 / 11 3989 5627 / 11 3984 7711

Entrada franca

Memorial da América Latina
Avenida Auro Soares de Moura Andrade 644 - Barra Funda
Entrada: Portão 13 - (11) 3823-4600

Entrada franca

Autorama
Parque do Ibirapuera

Entrada franca

Biblioteca Monteiro Lobato - (área externa)
Rua Gal Jardim, 485 - Vila Buarque - (11) 3256-4122

Entrada franca

Show do Gongo
17.11, segunda-feira, às 21h
Memorial da América Latina

R$ 20,00 (inteira) R$ 10,00 (meia)

Mix Music
14.11, sexta, às 21h Choperia SESC Pompéia R$ 20,00 (inteira) R$ 10,00 (meia) R$ 5,00 (funcionário do comércio)
15.11, sábado, a partir das 13h, Vale do Anhangabaú - Gratuito
16.11, domingo, a partir das 15h30, Centro Cultural da Juventude - Gratuito



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6 de novembro de 2008

ESPERANÇA E PROGRESSO


Como todos já sabem, Barack Obama foi eleito presidente dos EUA, após oito anos de governo Bush e dos Republicanos.

Diversos jornais, revistas, sites e blog’s ovacionaram esse feito devido ao seu caráter histórico: O primeiro negro a ocupar a cadeira de presidente da maior potência econômica mundial, mesmo com o histórico da questão racial nos Estados Unidos, onde a segregação lá sempre foi muito forte, e ainda é um elemento ainda enraizado na cultura americana. Com isso, a eleição de Obama trouxe a esperança da chegada de novos elementos à política americana.

Mas, o que isso muda para o Brasil? Simplesmente NADA.

Explico: Apesar de Obama e os democratas, em específico, terem uma capacidade de diálogo, muito maior do que os republicanos, e serem muito mais multilaterais quanto a uma possibilidade de consenso nas relações, trata-se de um consenso no dissenso.

Os EUA são uma potência que sempre irá brigar para continuar sendo uma potência e eles NUNCA irão querer receber menos. Eles vão sempre querer receber alguma coisa em troca, principalmente do Brasil.

Não podemos nunca esquecer que, mesmo em meio à crise, eles não vão se submeter a um país, ainda mais um latino-americano. Quando se pensa nas relações comerciais entre Brasil e Estados Unidos, o democrata é muito mais protecionista.

Esse tipo de postura é negativa para o Brasil, principalmente em relação aos biocombustíveis. Eles são extremamente protecionistas, pois priorizam os recursos e querem proteger os setores internos, ainda mais nessa crise que assola o EUA.

Entretanto, segundo alguns cientistas políticos, pode haver maior abertura para o Brasil conquistar uma cadeira permanente no Conselho de Segurança na ONU. Esse antigo desejo, da diplomacia brasileira, daria ao país poder de decisão na geopolítica mundial. Não esquecendo (novamente) que apesar dessa brecha não significa que Obama fará os Estados Unidos abrirem mão de sua hegemonia.

Diretos Civis dos Casais Homossexuais

Durante a sua campanha, Barack Obama sempre mostrou-se favorável aos direitos civis LGBT. Nos seus discursos sempre estavam presentes a defesa aos direitos de casais homosexuais e o apoio para o fim da política do “Don’t Ask, Don’t Tell”, que proíbe que homossexuais assumidos sirvam as Forças Armadas.

Para diversas ONG’s e associações que defendem os direitos LGBT a eleição de Barack Obama, abriu um caminho para uma nova política sobre os homossexuais, onde também permitirá impulsionar a luta contra a aids.

Pois, quando Bush apostava na abstinência, por assim dizer, como a única alternativa para combater a epidemia. Obama abriu novas possibilidades, outras políticas, uma concepção muito distinta sobre a sexualidade, que também pode beneficiar a todos.

Contudo é importante lembrar que Obama nunca falou muito, em discursos abertos ao grande público sobre isso, deixando bem claro que, ao não mencionar abertamente que irá lutar pelos direitos dos LGBT, já é uma indicação que nada é tão simples assim, principalmente nos EUA.

Apoiar abertamente a causa gay pode dar alguns votos, mas pode tirar milhares de outros. Lá a aprovação de várias leis independem da decisão do presidente e são votadas nos Estados, por meio de consultas à população.

No dia 04/11, além da votação para presidente, aconteceu na Califórnia a votação da “Proposta 8”, que afirma que o casamento "deve ser realizar apenas entre um homem e uma mulher" e que aconteceu? A população, em sua maioria, votou em favor desta proposta e apesar dos 18 mil casais que se já casaram não perderem seus direitos, mais nenhum casamento homossexual poderá ser realizado.

Mas como então os EUA elegeram Barack Obama?

Simples: Obama recebeu votos em massa de negros, latinos, pobres e setores democratas da população, mas nada indica que estes setores sejam liberais e tolerantes com relação à homossexualidade. E, em uma real democracia, os representantes eleitos pelo povo devem seguir a decisão da maioria, que por enquanto não acha que os LGBT necessitam (ou merecem) igualdade de direitos.

Porém, esperamos que este apoio às causas homossexuais não tenha sido apenas para obter votos, pois (aparentemente) já existe o apoio do novo presidente, sendo agora o trabalho de conscientizar a base - e como o líder Obama pode influenciar a população dos EUA e, consequentemente, como isso pode refletir, em especial, no nosso país.

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O GAY E A MATURIDADE


Por Gilberto Scofield Jr

Esta semana estava lendo no site da revista “Caros Amigos” uma entrevista inédita de Carlos Drummond de Andrade para a revista ainda em 1984, quando ele tinha 82 anos.

O pingue-pongue falava sobre o processo do envelhecimento e como isso havia afetado sua escrita, de um modo geral, e sua poesia, em particular. Muito lúcido, Drummond desmistificava o tal processo de envelhecer (coisa que o médico e memorialista gay Pedro Nava, por exemplo, nunca conseguiu fazer), dizendo o seguinte sobre como encarava a velhice aos 21 anos:

“Eu acho que ninguém está preparado para envelhecer. É uma coisa que a vida se encarrega de nos trazer, sem que nós tenhamos pedido, nós não influímos nesse assunto, a mocidade não espera a velhice, não receia a velhice, e ninguém está preparado para envelhecer, ela vem como uma fatalidade biológica”.

Fiquei pensando nisso quando, numa conversa com um querido amigo careta, ele me disse que, na passeata gay da Paulista, ano passado, ficou intrigado ao ver como os gays mais velhos se aproximavam da figura das peruas. “Como assim?”, eu perguntei e devo ter feito uma cara de espanto tão grande que meu amigo foi logo se explicando:

“Eu nunca vi tanto homem acima dos 30 agindo como adolescente, boné ao contrário, bermuda de surfista, exibindo corpos malhados no limite, caras botocadas, tomando drogas e ainda totalmente dedicados a uma fixação pela sedução que, depois dos 30, me parece meio anacrônica”
.

Eu ponderei que ele então estava saindo com caretas casados, porque os caretas solteiros… bem, esses continuam envelhecendo cada vez mais tarde, especialmente depois do fenômeno da metrossexualidade que transformou cada careta muderno numa persona um tanto gay. Ele admitiu isso, mas com certa melancolia. E finalizou: “Envelhecer, hoje, virou uma doença”.

Não sei bem se é por aí e meu aniversário esta semana me fez pensar bastante nisso no topo dos meus 43 anos. De cara, posso dizer que sou um sobrevivente. Da minha geração pré-Aids, poucos amigos estão vivos hoje para contar história, o que é tristíssimo. Mas é preciso deixar claro que envelhecer é também um delicioso processo de enxergar cada vez com mais clareza a vida de um modo geral (ok, ok, isso não é regra, mas deveria ser, correto?).

Eu trabalho com prazer, me exercito com prazer, amo meu companheiro com prazer e, por conta de uma história de vida bastante bem resolvida, posso dizer com tranqüilidade que ser cacura, véia, tiozinho - três adjetivos que carregam um tom de deboche e desprezo estranhos - é muito diferente de ter 43 anos de uma vida bem sucedida. Simples assim.

É claro que, quando eu tinha 21 anos, 43 anos me parecia de uma cacurice infinita. Mas ninguém tem 21 anos à toa, certo? Agora, aos 43, posso dizer que sou muito mais feliz, realizado e bonito do que aos 21, época em que eu ainda era constrangedoramente dark e fã de “The Cure” e “Smiths”. É claro que a imagem de cabelos do peito ficando brancos (e, em outras pessoas, cabelos da cabeça ficando ralos) é uma maneira de a vida te dar um toque: “Se acalma amigo, put yourself together”.

E quando eu ouço isso, tomo um banho com meu companheiro, botamos nossas melhores roupas e vamos ao Mesh nas quintas-feias gays do hotel “The opposite House” em Pequim, onde encontramos com amigos para discutir a Obamania que assolou o planeta. E ali, entre um lychee Martini e outro, enquanto meu companheiro passa carinhosamente a mão na minha nuca, eu sou o tiozinho mais feliz do planeta.


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5 de novembro de 2008

VITÓRIA HISTÓRICA DE OBAMA

E a vitória do primeiro presidente negro nos EUA é capa dos principais sites e jornais do mundo.





















Capas dos jornais do MUNDO INTEIRO aqui


*imagens roubadas descaradamente do blog do Sérgio Ripardo




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4 de novembro de 2008

DEMITIRAM A DRA. HAHN


O ano era 1998. Na Rede Globo de Televisão estreava a novela Torre de Babel. O nome veio da bíblia, para dar a idéia de um lugar onde ninguém se entende. Na história existia um casal de lésbicas, interpretadas majestosamente pelas atrizes Christiane Torloni e Silvia Pfeifer.

Torre de Babel foi um "soco no estômago", conseguiu chocar, e conseqüentemente, transformou a maior emissora de TV do país numa verdadeira Torre de Babel.

De um lado os que achavam que a novela mostrava nada além do que é a realidade, e do outro os que acreditavam de que tudo era uma "imoralidade". A ponto do então cardeal arcebispo do Rio de Janeiro excomungar o elenco e a produção da novela.

Também houve uma ameaça de bomba na sede da Globo, enviada por um grupo composto de religiosos ultra-conservadores.

Com isso, a audiência caiu vertiginosamente, fazendo o autor e a direção da emissora entrarem em pânico.

O que fizeram? Numa passagem já prevista pela sinopse (a explosão do shopping que levava o nome da novela) resolveram incluir o casal de lésbicas (e outros tantos que não foram “aceitos” pelo grande público) e as eliminaram da história.

Morreram não por uma necessidade intrínseca da história. Morreram porque os espectadores não estavam aceitando a trama com o entusiasmo necessário para manter o nível de audiência alto e todas as vantagens comerciais decorrentes disso.

Qual é minha intenção em lembrar disso tudo?

Para dizer que em pleno 2008 esse tipo de “intervenção” ainda existe, mesmo que para isso seja necessário sacrificar uma parte da história.

Ontem foi publicado na coluna do Ausiello a noticia de que a personagem Dra. Hann (Brooke Smith), da série americana Grey’s Anatomy, será demitida do hospital Seattle Grace, pois por ordem da alta direção do canal (ABC), após uma pesquisa de opinião, a relação homossexual dela com a personagem Dra. Callie (Sara Ramirez) estava “explicita” demais.

A idéia de colocar na trama duas lésbicas era legítima, como era e são legítimas quaisquer invenções de um dramaturgo. Entretanto o que mais choca é a forma abrupta que as coisas se desenrolaram. A personagem simplesmente sai da série, sem um contexto, sem uma explicação.

Se a autora (Shonda Rimes) quisesse matá-la, estaria ao lado dela contra todas as investidas do politicamente correto, em nome da liberdade de expressão, do direito da autora de conduzir sua história como bem quiser.

O argumento de pesquisar a opinião dos espectadores e alterar o enredo de acordo com seus desejos é bastante forte, de um ponto de vista financeiro.

Seus defensores dizem: temos muito dinheiro e muitos empregos envolvidos, se podemos determinar a trilha do sucesso, por que desprezar esse recurso que nos vem da pesquisa? Por que perder dinheiro, se precisamos manter a máquina funcionando a todo vapor?

Outros podem até se arriscar a um argumento baseado na democracia: por que os autores devem conduzir sozinhos suas histórias, qual o problema de ir definindo o caminho dos personagens por meio de uma consulta interativa?

Enfim, são argumentos importantes, mas deixam de fora exatamente a questão da liberdade estética, do potencial da arte de alterar posições definidas, da importância de arriscar-se a um fracasso de público, de saltar sem rede do trapézio.

No caso das lésbicas, a intenção foi a melhor possível. Caso o amor delas resistisse à série que tem uma das maiores audiência nos (ultraconservador) EUA , à severidade da ceia familiar, o país teria dado um salto em direção ao próximo século: direitos humanos fundamentais estariam sendo reconhecidos num país onde a maioria é chegada a uma pena de morte.

E mesmo no caso da série ser um fracasso de público, a relação homossexual teria uma compreensão maior se fosse mantida até o fim, porém acho que levarei anos pra entender esse tipo de posição.


Fiquem com a cena e últimas falas da personagem Dra. Hann, quando esta declarava todo os seus sentimentos a sua “parceira” Dra. Callie:



Dra. Hann: Toda minha vida... Toda minha vida adulta, eu estive com homens e sempre me senti legal, bem. Mas, eu nunca... Quero dizer, já, mas não... Não assim. É como precisar de óculos.

Dra. Callie: Ceguei você?

Dra. Hann: Não! Explico: Quando eu era criança, tinha dores de cabeça e quando ia ao médico e eles diziam que eu precisava de óculos. Eu não entendia isso. Não fazia sentido pra mim, porque eu enxergava bem.

Mas aí, comprei os óculos, e coloquei. E quando estava no carro, no caminho de casa, de repente GRITEI. Pois eu percebi que as grandes bolas verdes que tinha visto minha vida toda, Não eram bolas verdes. Eram folhas nas árvores.

E eu podia ver as folhas. E eu nem sabia que estava perdendo de ver as folhas. Eu não sabia que essas folhas existiam. E então, folhas. Você, Callie, é o meu óculos.

* Imagem retirada do blog Kiwi Nuclear (que também fala sobre o tema acima)

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3 de novembro de 2008

FELICIDADE?


O tempo passa, e nós mudamos tanto...

Ficamos tão sérios, tão preocupados, e sempre tão sem tempo pra coisa alguma. De repente, alguém disse que para sermos felizes, o que precisamos é ter um bom emprego, uma bela casa, o carro do ano, os aparelhos e as roupas da moda e, claro, termos muito dinheiro na conta. E nós, bobos, seguimos atrás destas coisas cegamente, aficcionadamente, entregando-nos a uma vida afogada em trabalho, estudos, metas, e uma constante insatisfação.

Mas se olharmos para trás, ainda poderemos lembrar de um tempo em que era até engraçado não ter dinheiro e fazer vaquinha pra pagar a conta da lanchonete com nossos melhores amigos. Se não conseguíamos ir todos juntos para a festa ou para o show da hora, fazíamos nossa festa na casa de alguém, ou na rua, mesmo, por que nossa verdadeira festa era estarmos juntos, sorrindo uns com os outros.

Mas... para onde foi esse tempo? Para onde foram os amigos? Para onde estamos indo nós? Nós nascemos muito felizes. Crescemos naquilo que pode ser a expressão mais tangível da felicidade possível, mas aos poucos vamos trocando isso por outros valores, como sucesso profissional e sucesso financeiro...

Bem aventurado é aquele que consegue acordar a tempo de perceber que melhor do que fazer horas extras no trabalho ou perder noites de sono em algum projeto ou pesquisa, é sempre reservar um tempo para preservar suas amizades, dedicando-se às pessoas que você ama, à sua família.

A felicidade está conosco o tempo todo: nós é que muitas vezes não damos a menor bola pra ela...

Augusto Branco

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PROMOÇÃO “BLOGRESSO”

Gosta de teatro? Tem um blog? Quer ganhar ingressos?

Muito simples:

Coloque um vídeo dessa playlist no seu blog e explique de maneira resumida o mecanismo desta promoção.

Após postar qualquer um dos vídeos mande um email para eles avisando sobre o seu post e você ganhará dois ingressos para o espetáculo “Em Breves” da Cia. Barbixas de Humor, que está em cartaz com a temporada prorrogada até 29/11, no Teatro Jaraguá.

Mas lembre-se: Avise para todo mundo do seu post e nos encontramos no teatro!!

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28 de outubro de 2008

FAZER AMIGOS

*postagem original no Pink Ego

Hoje em dia anda muito difícil fazer amigos e eu não falo isso porque não entra mais ninguém decente no Chat do UOL não. Pra quem não lembra do processo, tudo começa ainda no colégio, quando você descobre que existe os amigos, aqueles pra quem a gente conta as coisas, e os colegas, os que andam junto contigo, mas que não merecem muita confiança. Criam-se os grupos e provavelmente o cara mais bonito da sala vai pegar a menina mais gata e despertar a sua primeira inimizade.

Quando éramos mais novos, mais bonitos e menos barbudos, fazer amigos era a coisa mais fácil do mundo. Era só tropeçar em alguém da mesma idade, com uma cara de saudável e perguntar: “oi, quer ser meu amigo?”. Se morasse perto então ou tivesse brinquedos legais, ficava melhor ainda. Não exigia confiança, número de celular e raramente ele te pedia dinheiro emprestado.

Na pré-adolescência, o que estragava era a história dos melhores amigos, que são uma versão primitiva dos amigos de verdade. Os melhores amigos são aqueles com quem voce passava horas no telefone ou no shopping se voce for uma garota; passava horas jogando futebol e falando da prima gosta se voce for um garoto; passava horas jogando Mortal Kombat II no SuperNes se você for um nerd.

Hoje, ja não é possível fazer amizades de verdade após os 23 anos. Mesmo porque, depois de ficarmos razoávelmente velhos, começamos a diferenciar os amigos dos amigos de verdade e isso é uma bobagem que só faz com que você passe os sábados vendo Tina Fey imitar Sarah Palin no Saturday Night Live. Exigimos que eles compreendam nossos dramas, nossa falta de tempo, que aceitem nossas loucuras excentricidades e que nos dêem ingressos pra shows de graça.

A vida passa e vamos nos acostumando também a ter grupos de amigos sazonais. Os amigos do trabalho, os amigos do ex-estágio, os amigos do prédio, os amigos da faculdade e acabamos perdendo alguns pelo meio do caminho. Eles começam a namorar e te deixam de lado, mudam de religião, viram vegetarianos ou começam a comer insetos e participar de cultos de xamanismo. E é bem provável que com o tempo você se esqueça da maioria deles.

O ICQ morreu, veio o MSN, depois o Orkut e conseguimos dar uma certa sobrevida à amizades mal-resolvidas e distâncias mal-explicadas. No entanto, não é raro aparecer um ex-amigo, perdido no tempo, deixando um scrap dizendo que está morrendo de saudades, que casou e yatta yatta yatta vocês voltam a se falar. Mesmo que já não tenham mais nada em comum a não ser conversar sobre o passado.

É uma pena que a gente se acostume a manter contato com essas pessoas apenas pelo meio virtual. Saber o que ela está fazendo pelo Twitter, as músicas que ouve pelo Last.fm e as pornografias que ela está cadastrada pelo Google dá um certo alívio de não ser um amigo relapso. Sempre tive medo de ser aquele que não liga pra ninguém, que se faz de blasé e vive trocando de amigos, mas, acontece.

O tempo e essa vida corrida toda torna cada vez a gente mais distante de ser um amigo, um melhor amigo, um amigo de verdade. Triste saber que dizer “oi, quer ser meu amigo”, quer dizer pedir pra você clicar aqui. E se você pensa assim, no donut for you!


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20 de outubro de 2008

MUNDO MODERNO 15


* Clique na imagem para ampliar

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PECADO NOS OLHOS DOS OUTROS É REFRESCO

Por Rubem Alves

Cristãos fundamentalistas são os que acreditam que as sagradas escrituras foram ditadas diretamente por Deus e que, por isso, tudo o que nelas está escrito é sagrado, verdadeiro e deve ser obrigatoriamente obedecido para sempre. A verdade divina está fora do tempo. Aquilo que Deus comandava há 3.000 anos é válido para hoje e para todos os tempos futuros.

Digo isso a propósito de uma carta dirigida a Laura Schlessinger, conhecida locutora de rádio dos Estados Unidos que tem um desses programas interativos que dá respostas e conselhos aos ouvintes que a chamam ao telefone. Recentemente, perguntada sobre a homossexualidade, a locutora disse que se trata de uma abominação, pois assim a Bíblia o afirma no livro de Levítico 18:22. Um ouvinte escreveu-lhe então uma carta que vou transcrever:

'Querida doutora Laura, muito obrigado por se esforçar tanto pra educar as pessoas segundo a lei de Deus. [...] Mas, de alguma forma, necessito de alguns conselhos de sua parte a respeito de outras leis bíblicas e sobre a forma de cumpri-las: gostaria de vender minha filha como serva, tal como o indica o livro Êxodo, 21:7. Nos tempos em que vivemos, na sua opinião, qual seria o preço adequado?

O livro de Levítico 25:44 estabelece que posso possuir escravos, tanto homens quanto mulheres, desde que não sejam adquiridos de países vizinhos. Um amigo meu afirma que isso só se aplica aos mexicanos, mas não aos canadenses. Será que a senhora poderia me esclarecer esse ponto? Por que não posso possuir canadenses?

Sei que não estou autorizado a ter qualquer contato com mulher alguma no seu período de impureza menstrual (Levítico 18:19, 20:18 etc.). O problema que se me coloca é o seguinte: como posso saber se as mulheres estão menstruadas ou não? Tenho tentado perguntar-lhes, mas muitas mulheres são tímidas e outras se sentem ofendidas.

Tenho um vizinho que insiste em trabalhar no sábado. O livro de Êxodo 35:2 claramente estabelece que quem trabalha aos sábados deve receber pena de morte. Isso quer dizer que eu, pessoalmente, sou obrigado a matá-lo?

Será que a senhora poderia, de alguma maneira, aliviar-me dessa obrigação aborrecida?

No livro de Levítico 21:18-21 está estabelecido que uma pessoam não pode se aproximar do altar de Deus se tiver algum defeito na vista. Preciso confessar que eu preciso de óculos para ver. Minha acuidade visual tem de ser 100% para que eu me aproxime do altar de Deus?

Eu sei, graças a Levítico 11:6-8, que quem tocar a pele de um porco morto fica impuro. Acontece que adoro jogar futebol americano, cujas bolas são feitas de pele de porco. Será que me será permitido continuar a jogar futebol americano se usar luvas?

Meu tio tem um sítio. Deixa de cumprir o que diz Levítico 19:19, pois que planta dois tipos diferentes de semente ao mesmo campo, e também deixa de cumprir a sua mulher, que usa roupas de dois tecidos diferentes - a saber, algodão e poliéster. Será que é necessário levar a cabo o complicado procedimento de reunir todas as pessoas da vila para apedrejá-las? Não poderíamos queimá-las numa reunião privada?

Sei que a senhora estudou esses assuntos com grande profundidade de forma que confio plenamente na sua ajuda. Obrigado de novo por recordar-nos que a palavra de Deus é eterna e imutável'


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16 de outubro de 2008

GANHE UM IPOD SHUFFLE




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15 de outubro de 2008

HOMOFOBIA E FALSA INDIGNAÇÃO

Um texto que merece ser lido e divulgado:

Nos EUA, costuma-se distinguir entre racismo e o que chamamos race-baiting, que é usar o racismo alheio para benefício próprio, geralmente político-eleitoral. Ninguém em sã consciência diria que Bill Clinton é racista, mas parece-me inegável que ele tentou se aproveitar do racismo sulista contra Barack Obama nas primárias democratas da Carolina do Sul. Há que se conhecer o contexto americano para saber tudo o que se escondia na aparentemente inocente frase ah, não se preocupe, Jesse Jackson também ganhou as primárias da Carolina do Sul em 1984 e 1988.

A campanha de Marta Suplicy errou, e errou feio, ao introduzir as perguntas é casado? tem filhos? no final de um comercial em que fazia uma série de indagações legítimas sobre o passado político de Gilberto Kassab.

(clique aqui e continue lendo)

Dica da Flavia Durante

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14 de outubro de 2008

HIPOCRISIA *


Nós, seres humanos, podemos ser divididos em infinitas categorias, dentre essas chamo a atenção para três:

A - Os que fazem algo errado
B - Os que criticam o que fez algo errado
C - E os que criticam a crítica do último

Geralmente A fala que não se deve fazer algo, termina ele mesmo praticando aquilo que proibiu. Sendo assim, chega B e fala - Viram? O homem é falho e erra bastante. É quando entra em ação o C: "Oras, se A é igual a B, todos os dois estão errados." Soou quase que matemática a relação, mas isso acontece com grande freqüência e causa muitos danos às relações como um todo.

O interessante a ser observado é que nunca nos importamos com o que está sendo discutido, mas sim com quem está discutindo. Denominam isso de ataque ad hominem. O norteador do que é certo ou errado deixou de ser o que é certo ou errado segundo nossos conceitos e se transformou na hipocrisia.

Se alguém é hipócrita ele não tem voz. Só terá voz aquele que é totalmente isento de erros. E quem é essa pessoa? Existirá algum humano capaz de não ser hipócrita? Longe de defender tal prática, devemos nortear nossas ações não de acordo com o que uma pessoa fala, mas de acordo com o que a própria assertiva leva de correto.

Um assassino que afirma: "matar é errado" transforma o matar em correto pelo único fato de não ter legitimidade para falar daquilo? Esse exemplo "absurdo" ilustra o que ocorre quando deixamos de olhar para o que é falado e observamos unicamente a pessoa que fala. A hipocrisia deve sim ser combatida e isso é feito deixando de exaltá-la como único fator determinante do que deve ser praticado ou não.

Pessoas se perpetuam pelas suas idéias; quando praticadas, o discurso sem dúvida se torna mais forte e isso se deve principalmente ao fato de a pessoa conseguir provar que o que ela fala é sim possível de ser praticado. Isso, no entanto, não deve dar vazão ao velho chavão "suas atitudes falam tão alto, que não consigo ouvir o que dizes"; essa é uma justificativa para quem não quer reconhecer a verdade de uma afirmação tão óbvia que até o hipócrita se permite dizer.

Exaltemos idéias, neguemos o hipócrita. Que possamos sempre fazer a incisão entre o que é falado e quem fala, utilizando o filtro do bom-senso.

*Texto de Raphael Rap (enviado por e-mail)

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10 de outubro de 2008

Goodbye Alice In Wonderland (Acoustic 2007)

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CONSCIÊNCIA


Nascemos, vivemos e morremos. Isso é o lado comum da vida. A utilidade da vida na existência do espírito é que tem o verdadeiro desafio para a nossa compreensão. Observando então a forma como vivemos, podemos perceber que o sentido oculto está no desenvolvimento da nossa consciência em nossa existência plena.

Vivemos na observância das coisas do mundo, através dos nossos sentidos, e com eles sobrevivemos e fazemos acontecer as coisas necessárias para o nosso bem estar e nosso trabalho naquilo que nos é proposto no dia a dia. Assim, o propósito de nossa essência é a nossa consciência, no seu desenvolvimento.

Vibramos desde o mundo mineral até o hominal em busca deste desenvolvimento. É neste labor que aprendemos quem somos em cada estágio para seguir para o supra-hominal, e é neste exercício que nos aprimoramos e desenvolvemos o conhecimento preciso para que possamos chegar a uma possível plenitude.

Quando rompemos a casca do ovo da consciência, somos eternos, pois paramos de nos identificar com a finitude do mundo e passamos a viver as nossas vidas dentro daquilo que somos de fato.


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9 de outubro de 2008

ESVAZIANDO

Por Wilson Meiler

Todos os anos, há um momento em que olhamos nossos armários com um olhar crítico. Olhamos aquelas roupas que não usamos há tanto tempo. Aquelas que tiramos do cabide de vez em quando, vestimos, olhamos no espelho, confirmamos mais uma vez que não gostamos e guardamos de volta no armário.

Aquele sapato que machuca os pés, mas insistimos em mantê-lo guardado. Há ainda aquele terno caro, mas que o paletó não cai bem, ou o vestido "espetacular" ganho de presente de alguém que amamos, mas que não combina conosco e nunca usamos. Às vezes tiramos alguma coisa e damos para alguém, mas a maior parte fica lá, guardada sabe-se lá porquê.

Um dia alguém me disse: tudo o que não lhe serve mais e você mantém guardado, só lhe traz energias negativas. Livre-se de tudo o que não usa e verá como lhe fará bem.

Acontece que nosso guarda-roupa não é o único lugar da vida onde guardamos coisas que não nos servem mais. Você tem um guarda-roupa desses no interior da mente. Dê uma olhada séria no que anda guardando lá.

Experimente esvaziar e fazer uma limpeza naquilo que não lhe serve mais. Jogue fora idéias, crenças, maneiras de viver ou experiências que não lhe acrescentam nada e lhe roubam energia. Faça uma limpeza nas amizades, aqueles amigos cujos interesses não têm mais nada a ver com os seus.

Aproveite e tire de seu "armário" aquelas pessoas negativas, tóxicas, sem entusiasmo, que tentam lhe arrastar para o fundo dos seus próprios poços de tristezas, ressentimentos, mágoas e sofrimento. A insegurança dessas pessoas faz com que busquem outras para lhes fazer companhia, e lá vai você junto com elas.

Junte-se a pessoas entusiasmadas que o apóiem em seus sonhos e projetos pessoais e profissionais. Não espere um momento certo, ou mesmo o final do ano, para fazer essa "faxina interior". Comece agora e experimente aquele sentimento gostoso de liberdade.

Liberdade de não ter de guardar o que não lhe serve. Liberdade de experimentar o desapego. Liberdade de saber que mudou, mudou para melhor, e que só usa as coisas que verdadeiramente lhe servem e fazem bem.



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LISTA DO LEITOR

Nesse post fiz uma pequena lista dos filmes que tinham um apelo mais "universal" e que discorriam sobre o universo GLBT.

Dentre os comentários, vários leitores sugeriram outros filmes e consequentemente me senti compelido a assistir e comentar posteriormente sobre tais dicas (embora algumas sugestões eu já tinha assistido)

Por isso, seguem abaixo resenhas sobre esses filmes, onde não tenho o intuito de fazer uma critica ou tão pouco classificar este ou aquele trabalho como bom ou ruim. A intenção aqui é de simplesmente dividir experiências e multiplicar as diferentes opiniões.

Então, vamos lá:




O Padre (Priest - Inglaterra, 1995) Drama. 105 min. Direção: Antonia Bird Estrelando: Linus Roache, Tom Wilkinson, Robert Carlyle, Cathy Tyson

O filme narra a vida do Padre Greg, que enfrenta um caso de abuso sexual contra Lisa, uma adolescente de 14 anos; onde ela revela o abuso, praticado pelo pai, na confissão. Esse é o grande fio condutor da história - além do fato de Padre Greg ser homossoxual.

Eventualmente, lá pela segunda metade do filme, o Padre Greg é flagrado pela polícia com o namorado (interpretado por Robert Carlyle, de Uma Canção para Carla/Carla’s Song) no que eles chamam de ato obsceno em um carro; o caso vai para os jornais e para a Justiça. O suporte que recebe de Padre Matthew é tão imenso quanto o que não recebe do resto da Igreja.

Padre Greg (Linus Roache) é enviado para trabalhar em uma paróquia em Liverpool. Ele fica surpreso ao ver que seu novo superior, padre Matthew (Tom Wilkinson), não cumpre o celibato, mantendo um relacionamento com uma mulher. Este é apenas o primeiro fator que fará com que Greg entre em conflito e questione algumas regras da Igreja. Um segundo fator é a descoberta da própria homossexualidade, quando se apaixona por um rapaz (Robert Carlyle).

Mas o que mais o tortura é quando uma menina de 14 anos lhe conta que sofre abusos por parte do pai, mas Greg está de mãos atadas pelo sigilo da confissão. Dividido entre sua vocação e sua sexualidade, entre as regras da Igreja e os problemas que testemunha, Greg teme ter sua fé abalada.

Em suma, O Padre revela-se um grande filme. Um filme corajoso, profundamente progressista, anti-establishment, antipreconceitos de todos os tipos. Não é um filme contra a Igreja Católica - embora seguramente 95% da hierarquia católica deva considerá-lo assim. Nem muito menos anticristão. É anti-hierarquia, anti o que a máquina da Igreja criou em torno dos preceitos básicos da religião. O que está em pauta, especificamente, é a exigência do celibato - e, mais especificamente ainda, mais ousadamente ainda, o tabu que é quebrar o celibato com uma ligação homossexual.

Mas o filme na verdade vai além desse específico. Não é um filme contra a exigência do celibato, e contra o pavor que todos têm de um padre homossexual. É aquilo de que falei duas linhas acima: é anti-hierarquia, anti quase tudo o que a máquina da Santa Madre criou para defender a monarquia mais duradoura da história da humanidade. E anti-hipocrisia, anti os falsos cristãos.

O final do filme é tão brilhante quanto o começo. O Padre Matthew insiste em que os dois celebrem juntos uma missa de domingo. A pregação libertária que ele faz nessa missa é um manual de resistência ao atraso, ao conformismo. Ao final da missa e do filme, os dois se colocam para dar a comunhão; forma-se uma grande fila diante do Padre Matthew, mas ninguém se posta para receber o sacramento do “padre gay”, como alguém da congregação define; só Lisa, a adolescente que ele de alguma maneira salvou do abuso do pai, vai até ele. É tristíssimo, é emocionante, é lindo.




Cachorro (Bear Cub - Espanha, 2004) Comédia/Drama. 99 min. Direção: Miguel Albaladejo Estrelando: Jose Luis Garcia-Perez, David Castillo, Arno Chevrier, Elvira Lindo, Mario Arias, Diana Cerezo, Josele Roman, Empar Ferrer, Felix Alvarez

Um homossexual promíscuo e um menino de nove anos que fica sobre seus cuidados são os protagonistas e o fio condutor do longa espanhol "Cachorro".O sexto filme do espanhol Miguel Albadalejo, que teve sua estréia mundial no Festival Internacional de Cinema de Berlim.

Pedro, vivido por José Luis García-Pérez ("Padre Coraje"), é um dentista que curte sua vida sexual adoidado, porém sua vida muda completamente quando tem que cuidar de seu sobrinho, Bernardo (David Castillo), cuja mãe foi detida na Índia por porte de drogas.

O mérito de "Cachorro" é tratar o sexo (mais especificamente a homossexualidade) numa chave melodramática, respeitosa e até edificante sem nunca soar chato ou pretensioso.

Bernardo, um menino de 11 anos, passa a viver com o tio gay, Pedro. No começo, o tio muda radicalmente de vida para não chocar o garoto, mas com o tempo vai se sentindo mais à vontade. E ao assumir aos poucos sua identidade para Bernardo, faz com que o menino também busque a sua -não sexual, pois ainda é muito novo, mas no sentido mais amplo, das atitudes. Nesse sentido, a decisão de raspar a cabeça não significa pouca coisa.

O mesmo processo de empatia e quebra de preconceito se dá com os amigos do tio. À primeira vista, são criaturas exóticas -muitos são "ursos", os gays de meia-idade, gordinhos e barbudos. Ao longo do filme, eles mostram o seu lado mais humano, derrubando as reservas de espectadores menos "antenados" no mundo gay.

Pena que algumas subtramas estão ali apenas para alongar a história e contribuir para que o espectador tome posição em favor do tio. É o caso da avó que não aceita que o tio gay cuide do menino. A disputa soa um tanto folhetinesca. No fim das contas, tio e sobrinho são personagens fortes o suficiente para justificar sozinhos o interesse dessa trama de afetos acima das preferências.

O longa trata de temas polêmicos, como a adoção de crianças por gays, consumo de drogas e a discriminação pelos contaminados por HIV+. Além de também oferecer um retrato muito diferente do ambiente gay de Madri.




Velvet Goldmine (Velvet Goldmine - EUA, Inglaterra, 1998) Drama. 117 min. Direção: Todd Haynes Estrelando: Ewan McGregor, Jonathan Rhys Meyers, Christian Bale, Toni Collette, Eddie Izzard, Emily Woof, Michael Feast, Janet McTeer

Tudo começa com o broche verde de Oscar Wilde. Numa sucessão de acasos, seu objeto vai passando entre as gerações, como uma espécie de herança do sucesso e glamour.

Os astros que desfrutam de tal sorte são Jack Fairy (Micko Westmoreland), Brian Slade (Jonathan Rhys-Meyers) e Curt Wild (Ewan McGregor). Como uma espécie de avó do movimento, ele aparece entrelaçado no cenário glam rock da Inglaterra, inspirando estrelas.

Retratam a trajetória do cantor chamado Brian Slade líder do movimento glam - cujo nome vem do glamour das roupas extravagantes, perucas de cores psicodélicas e sapatos plataforma - Slade atinge o que sempre sonhou, e transforma-se num grande astro. Todos na rua imitam seu estilo, e é ele quem transforma a fase "Paz e Amor", chegando com som feroz e incentivando a pan-sexualidade.

Inspirado na figura de Bowie, Slade é como um deus glam venerado por todos. Mas, sua posição é tão alta que, no auge do sucesso, ele se vê impossibilitado de sobreviver à persona que criou, forjando a própria morte. Quando os fãs descobrem, seu nome cai no esquecimento e ele desaparece do cenário musical.

Em 1984, Arthur, um jornalista inglês, que vive em Nova York, inicia um reportagem sobre o artista que sumiu do mapa. Criado em Manchester, ele revive sua juventude quando era mais que um fã de Brian Slade. Ele esteve muito próximo do ídolo andrógino e de seu complicado relacionamento com a mulher e com o músico americano que o influenciou, Curt Wild.

É através das investigações de Arthur que a vida do astro é contada. Ele encontra a ex-mulher de Slade Mandy, (Toni Collete, de O Casamento de Muriel) em um cabaré decadente, e através de suas lembranças os dois retornam à cena musical dos anos 70.

Como numa espécie de retrospectiva dos fatos, ela fala sobre o início da carreira do astro, sua obsessão por Curt Wild, seu casamento, traição e queda.

A partir destas entrevistas, o roteiro evocaa carreira de David Bowie e seu envolvimento com Lou Reed e Iggy Pop (inspiradores do personagem Curt Wild), sem faltar as referências a Ziggy Stardust e Alladin Sane.

Apesar da homenagem, Bowie não cedeu os direitos de nenhuma das composições pedidas por Haynes. Foi aí que o produtor-executivo do filme Michael Stipe (líder do R.E.M.) e o supervisor musical Randall Poster voltaram-se para músicos como Thom Yonke, do Radiohead, e a banda Placebo para fazer covers dos sucessos da época, além de encomendar material inédito para bandas como Pulp e Grant Lee Buffalo.




Um Caso de Amor (The Sum of Us - Austrália, 1994) Drama. 100 min. Direção: Geoff Burton, Kevin Dowling Estrelando: Russell Crowe, Jack Thompson, John Polson, Deborah Kennedy, Des James, Donny Muntz, Joss Moroney, Julie Herbert, Mick Campbell, Mitch Matthews.

O filme narra a amizade entre pai e filho que procuram por amor. Harry Mitchell (Jack Thompson) é um senhor viúvo e que divide a casa com seu filho Jeff, (Russel Crowe) homossexual assumido. Apesar de aceitar o fato do filho ser gay, Harry acaba criando impecílhos para os relacionamentos de Jeff. E Jeff, sem querer, faz o mesmo quando o pai se aproxima de uma mulher recém-divorciada.

Um filme singular, tanto na concepção de sua narrativa cheia de estilo e de maneirismos, quanto na respeitosa sinceridade do relacionamento entre um pai mulherengo e um filho "gay".

A sequência do internamento da avó lésbica e de sua conseqüente separação da companheira de anos, exibida em "flashback", como recordação do protagonista homossexual, está entre as cenas mais emocionantes do cinema nos anos 90.

Indicado para seis prêmios do A F I, inclusive filme, recebeu o de roteiro adaptado. Melhor filme no Festival Internacional de Cinema de Cleveland. Melhor roteiro no Festival Mundial de Cinema de Montréal.

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