30 idéias, 6 blogueiros

A partir de uma iniciativa independente, desvinculada de interesses de grupos, ou partidos, nasce o blog "30 ideias para ajudar a causa LGBT do seu jeito".

Com o intuito de agregar novas idéias, apontar para novos caminhos que gerem efeitos sociais positivos e contribuir para o fim da inércia coletiva, um grupo de seis amigos blogueiros (Cris, o Gustavo, a Isadora, o Thiago , o Daniel e o BHY) se reuniram em prol da causa LGBT.

Com base naquilo que eles conhecem e vivenciam, pensaram em sugestões viáveis, realistas e que pudessem sair do papel e ser incorporadas ao cotidiano, onde, cada um, absorva aquilo que estiver mais próximo de sua realidade.

O A Sétima Visão apóia essa causa e deixa um banner na barra lateral desse blog.

Sintam-se a vontade para ecoar essas idéias também. Quem quiser colocar o banner com links em seus blogs ou sites, segue os códigos abaixo. É só copiar e colar.




Continue lendo...

Não importa se ele é coroa, não importa se ele é garoto

No Japão, a prática do shudo, entre samurais os guerreiros passavam seus valores aos mais jovens e com eles estabeleciam relações homossexuais. O shudo foi praticado no Japão até fins do século 19.

Nos dias de hoje, as relações afetivas entre homens com grande diferença de idade continuam a causar “frisson”, mas por outro motivo: o preconceito. Começa já pelo fato de ser uma relação gay, outros vão mais longe e dizem que o preconceito também vem dos gays, às vezes, até com mais intensidade. “Meu companheiro é 19 anos mais jovem que eu, e por incrível que pareça, onde mais sinto preconceito é no próprio meio”.


Acho que atualmente os gays estão obcecados com a imagem que a mídia vende de corpos jovens, lisos e sarados, a maioria dos meus amigos acham absurdo gays maduros que curtem caras mais novos e jovems que curtem homens mais velhos, essa pressão é exercida igualmente sobre o coroa e sobre o mais jovem, embora de formas diferentes.

Sobre o mais velho, ela vem com frases como, você está sendo enganado, você está sendo usado, 'você vai acabar sendo traído, você vai acabar se dando mal; enquanto sobre o mais novo, a pressão é mais do tipo ele não vai agüentar o seu pique, não dá pra agüentar esse velho implicante, transar com esse coroa deve ser horrível, e igualmente, mas com outro sentido, “você está sendo usado”.

“A discriminação recai sobre o mais velho”, “de que a vida sexual de pessoas mais velhas termina ou deve terminar com o aumento da idade”.

Por que você não cola em mim?

Outro fator que se torna relevante nesta relação é a solidão. Afinal, ser gay é estar praticamente “condenado” a passar “sozinho” pela maturidade ou velhice? Não pode o gay mais velho arranjar um cobertor de orelha? A tendência da maioria dos coroas gay é ficar sozinho ?. Muitos pensam em começar com alguém, mas cadê essa pessoa?.

“A vida está aí, as oportunidades estão aí, basta a você ser menos exigente, deixar um pouco as fantasias de lado, a dificuldade, às vezes, está nos próprios coroas: “Pessoas mais maduras já sofreram desamores e têm medo do sofrimento”.Existem gays que estão por volta dos 40 anos e já comportam-e como velho – e muitos gostam de homens ainda mais velhos, e mesmo assim estão sozinhos.

No caso do gay, a situação se agrava por conta do preconceito e do afastamento ou mortes dos familiares.

No entanto, a vida dos gays mais velhos pode ser bem animada – e parte disso se deve justamente às relações intergeracionais:

Existe uma parcela considerável de jovens gays que se sente atraída sexualmente por homens bem mais velhos, que estão além da faixa dos 40 até 80 anos de idade. Enfim a quantidade de caras que curtem homens maduros é muito grande mesmo. É só saber procurar, É claro que existem os aproveitadores, mas acho que não dá pra generalizar. Seria o mesmo dizer que, depois de uma certa idade, um homem não tem mais nada a oferecer.

Cada caso é um caso, provavelmente, o jovem que gosta de coroas, em algum momento da vida, emparelhou estimulação sexual com uma pessoa de idade mais avançada, e talvez o fato de sentir-se protegido, ter uma melhor condição financeira, ficar com um homem mais experiente são interpretações que não esclarecem a causa. São, na verdade, conseqüências.

Não me interessa se ele é coroa.

E muito saudável a relação intergeracional, pois é mais uma das infinitas possibilidades do ser humano se relacionar. Afinal, o que caracteriza a vida é a diversidade em todas as suas áreas. E que diversidade – que o digam Zeus e Ganimedes, e o cancioneiro popular já diz que:

Não importa se ele é coroa, panela velha é que faz comida boa!!!!

*retirado do blog Olhar Masculino

Continue lendo...

A intolerância mais abjeta

O ótimo artigo do João Ximenes Braga, no Globo do último domingo, em defesa da liberdade sexual e que lhe rendeu um punhado de agressões pela internet.

É pena.

Aliás, o texto é ouro puro. Leia (ou releia) a seguir:

A revolta dos perdigotos

Por João Ximenes Braga

Homoterrorismo é a desimportância em desespero. A sexualidade é inalterável e inatingível. E quando se trata de sexualidade, só existe uma coisa no mundo que consegue ser mais desprovida de importância que a opinião pessoal: o julgamento moral. Você pode julgar quanto quiser a sexualidade alheia. Não tem importância. Você pode ser hétero e fazer a elegia dos seus amigos gays. Não tem importância. Você pode ser gay e fazer piadas maldosas sobre o comportamento “careta” dos héteros. Não tem importância. Eles não deixarão de ser o que são.

Você pode ser conservador e barrar leis no Congresso, fazer passeatas pela família, dizer que o mundo está acabando, que Deus vai punir a todos. Não tem importância, não passa do registro da fofoca, ninguém vai deixar de se deitar com quem quer. Pode até deitar escondido, ou demorar a criar coragem, mas vai deitar. Deitar e suar e trocar saliva e outros fluidos que, com sorte, ficarão na camisinha.

E você pode achar isso nojento. Mas não tem importância. Pois a sua opinião e o seu julgamento sobre a sexualidade alheia não tem importância. Porque é alheia. Se é alheia, é do outro; se é do outro, não é sua; não sendo sua, não vai mudar por sua causa.

Você pode ser deputado crente ou padre pitboy, pode ser simpatizante ou skinhead, pode ser presidente do Irã ou suplente do PTC, grandes coisas, azar o seu, a sexualidade alheia continuará a não ser da sua conta. O pessoal vai continuar deitando e suando e trocando saliva enquanto você desperdiça os seus perdigotos uivando indignação pelas esquinas.

Aí, numa desesperada tentativa de não admitir que seu julgamento moral é inútil, você joga uma bomba. Você pode até matar alguns indivíduos. Ferir outros. Emperrar a vida de muitos. Vãs tentativas de ter importância, pois não vai, jamais, impedir que o mundo gire, a lusitana rode e as pessoas se deitem com quem quiserem, como quiserem. Seu julgamento moral e sua opinião, quaisquer que sejam, serão para sempre da mais profunda desimportância.

A não ser, claro, para você mesmo. Pois como diz Tennessee Williams na voz de Chance, o protagonista de “Doce pássaro da juventude”, a grande diferença entre as pessoas neste mundo “não é entre quem é rico e pobre, bom ou mau.

É entre quem tem ou teve prazer no amor e quem nunca teve prazer no amor, apenas observou, com inveja, inveja doentia”.

Saiu do blog do Ancelmo Gois

Continue lendo...

MUNDO MODERNO 17

Continue lendo...

Concurso Literário Revista Piauí

Todos os meses a Revista Piauí, promove um concurso literário, onde a partir de uma simples frase, o participante desenvolve um trabalho dando forma e um novo sentido a mesma.

Na edição 31 da revista (março/2009), o vencedora foi a carioca Cynthia Neves e com menção honrosa para o trabalho de Salathiel Westphalien de Souza de Joinville, ambos, que vocês podem ver a seguir.

A VENCEDORA

A TRAGÉDIA DA FAMÍLIA SAMSA
Cynthia Neves



MENÇÃO HONROSA

DE VOLTA PARA A CASA DE PAPAI
Salathiel Westphalien de Souza

Estimado Papai,

Espero que esta o encontre bem e com a saúde de sempre. Como estão as coisas por aí? Longe de casa, fico ansioso por notícias de todos.

Aqui há poucas novidades. A vida segue com a rotina de sempre. Acordo bem cedo para cumprir minhas obrigações, na companhia dos meus colegas. Em grupo o trabalho parece fluir mais facilmente e agradeço pela companhia que tenho.

A cidade anda cada vez mais movimentada, o que significa trabalho aumentado. Não é raro eu pular o almoço e acabar jantando pouco antes de me deitar. Não me queixo. Sei bem o que devo fazer e me realizo com o meu ofício.

Gosto do contato diário com as várias pessoas que cruzam meu caminho, porém sinto que estou chegando ao fim da minha tarefa por aqui. É claro, eu sabia que este estágio não duraria para sempre. Mesmo assim, sinto um calafrio. Mudanças geram temores. E por menores que sejam, elas nos incomodam.

Em breve chegará o momento de voltar para casa, junto do Senhor. Não quero deixá-lo magoado, pensando que tal idéia me desagrada. Mas sentirei falta do convívio com as pessoas que me cercam. Sentirei falta das paisagens daqui, dos aromas, dos costumes locais.

Querido Pai: você me perguntou recentemente por que eu afirmo ter medo de você. Não é fácil definir. Medo talvez não seja o termo mais correto. Seria admiração excessiva? O medo da frustração de talvez não conseguir ser tão perfeito quanto o Senhor?

Os que o conhecem sabem muito bem: é poderoso, eloquente, sabe comandar seus muitos empregados. É rígido e disciplinador. Sabe respeitar-se e exigir o respeito que merece. É sábio em tudo, sabendo ministrar a dose exata de justiça e bondade, dando a cada um o que merece, caso a caso.

Assim sendo, eu é que pergunto: como não ter medo, respeito, admiração? Sua imagem está em minha mente, seu olhar me acompanha dia e noite. Às vezes chego mesmo a ouvir a sua voz, a sua respiração.

Espero que eu dê conta do recado e possa ser o filho que o Senhor sempre quis. De minha parte, faço o possível e o impossível. Há dias em que me ocupo realizando verdadeiros milagres, para que eu possa cumprir fielmente o que sempre me pediu.

Falo muito do Senhor para as pessoas que se aproximam de mim. Elas ficam felizes, pois reconhecem que a gente só fala das pessoas ou coisas de que se gosta muito. Há também quem não acredite que um pai possa ser assim tão bom. Mas fazer o quê?

Como eu ia dizendo (ou escrevendo), em breve não terei mais o que fazer por aqui. Já fiz quase tudo que me foi exigido. Mais algumas tarefas e estarei livre. Realmente são coisas que somente eu poderei realizar e isso adia o meu retorno.

Em algumas semanas espero voltar para casa, encontrar o Senhor e toda a nossa família. Peça ao Gabriel que deixe meus aposentos em ordem, pois a viagem será extenuante e é quase certo que chegarei morto de cansaço.

Sem mais, sinta nesta missiva o adiantado abraço que espero dar-lhe em nosso próximo encontro.

Do seu filho amado,

Jesus

=================================

Os interessados em participar do concurso devem enviar um texto inédito com o máximo de 3.160 caracteres. Os textos deverão ser enviados à redação até o dia 21 de abril para o e-mail: encaixe@revistapiaui.com.br, com nome e sobrenome do autor, cidade e estado de procedência.

A frase escolhida para o próximo mês abre o prefácio escrito por F. Nietzsche para o seu O Anticristo: “Este livro pertence aos homens mais raros. Talvez nenhum deles sequer esteja vivo.”

Continue lendo...

Ainda sobre Susan Boyle e mais algumas coisinhas

Pra encerrar de uma vez esse assunto sobre o “Fenômeno Susan Boyle”, indico um belo artigo (em inglês), onde o editor exemplifica - e explica - como funciona o processo de construção de um (reality?) show.

Num trecho, traduzido pelo jornalista Pablo Villaça, o editor diz:

"Susan Boyle de Blackburn, West Lothian, foi inicialmente tomada como uma piada. Mas por quê?

Por quê? Porque esta foi a história que os produtores de "Britains Got Talent" construíram ao seu redor, este é o porquê. Ela foi descoberta em um teste prévio e os produtores indubitavelmente perceberam que tinham nas mãos o potencial para um grande momento televisivo se a apresentassem corretamente - o que implicava em nos manipular para que a reviravolta tivesse maior impacto emocional. Não que Boyle não seja um talento autêntico e exatamente a pessoa que aparenta ser, mas a maneira na qual ela e sua história foram apresentadas na televisão (e no YouTube) é no mínimo tão importante quanto quem ela é na verdade."

Sabe esses programas com falso assistencialismo, onde prometem mundo e fundos para um cidadão, montam todo um arco dramático, pra com isso conquistar a audiência e que passado um ou dois dias todo mundo esquece o que viu e a emoção que sentiu?

Então. Reflita

Aliás, aproveito para salientar alguns pontos:

Em nenhum momento discuti a técnica da cantora, apenas trouxe essa informação à luz, pra elucidar na cabeças de alguns, e mostrar, que se não fosse sua “história de vida” e amaneira como conduziram a sua apresentação (cara feia do público, jurados chacoteando a candidata, acordes musicais no momento certo, bla, bla, etc) ela não teria sido classificada e tão pouco teria sido esse fenômeno que foi.

E faço das palavras, deixadas pela leitoraZeitgeist nos comentários, as minhas:

“A ‘tia’ cantou bonito para uma canção de musical (que é escrita e elaborada para emocionar). A comoção gerada nada mais foi do que a hipocrisia ululante que sempre pairou entre a macacada de auditório (e a de twitter): é lindo "lá", porém no dia a dia, essas mesmas pessoas falam "cala boca tia" para tudo o que é diferente. E, na boa? Continuarão julgando pela aparência e a detonar, por pura inveja.”

É isso.

---------------
Leia também, esse ótimo post do blog Escreva Lola Escreva, sobre o mesmo tema: Esta é só uma parte de mim", diz, Susan Boyle, 47

Continue lendo...